sexta-feira, 6 de agosto de 2010

VINICIUS FERNANDES CARDOSO



O VAZIO DA ÉPOCA

(...)

Herdamos silêncios,
teses e meio-termos,
ciências novíssimas
e artes entediantes.

Havia trabalho, tédio,
infindas melancolias.

Éramos números,
nomes em salas vazias,
monólogos sem apelo.

Escrevíamos maus poemas,
olhávamos pela janela do ônibus
e tudo parecia vão.

Nos sábados
saíamos a revelia,
e voltávamos cansados.

Num canal passava uma
casa cheia de gente,
noutro intelectuais
sensatos.

(E nós estávamos longe
das importâncias e procurávamos
nas ermas paragens
como barco bêbado
os encantos da vida)


.....

Noite. Noite.
Era uma noite rara
de sombras e vapores,
noite fresca e imemorial.

Chovia.
Íamos pela estrada escura,

éramos vento, música e chão.

2 comentários:

Anônimo disse...

Olá,

Gostei da postagem desde poema acometido em 2004, e adorei suas intervenções gráficas em alguns versos.

Espero um dia poder te conhecer, se assim desejar.

Seu blog é muito bonito!
Parabéns!
Vinícius Fernandes Cardoso

Anônimo disse...

Olá,

Gostei da postagem desde poema acometido em 2004, e adorei suas intervenções gráficas em alguns versos.

Espero um dia poder te conhecer, se assim desejar.

Seu blog é muito bonito!
Parabéns!
Vinícius Fernandes Cardoso