terça-feira, 28 de abril de 2009

Ainda me restava uma esperança na humanidade, algo que eu não notava, mas que se manifestava em algumas declarações impensadas, palavras ditas em rompantes pouco refletidos, na verdade tratava-se de berros do meu inconsciente.
Imaginava eu, na minha extrema ignorância, que algum vestígio da essência de todo e qualquer ser vivente pudesse apresentar algo no mínimo digno de alguns segundos de reflexão. Ilusão de contempladora inexperiente. O convívio não deixa dúvida de que algumas pessoas não passam de matéria bruta, nada além de um composto de células ambulante, completamente incapazes de abstrair ou de provocar a abstração alheia.
A irrelevância existencial de tais seres chega a picos inimagináveis, ocupam o grau mais alto na categoria da ignorância mais mesquinha possível, além de não proporcionarem nenhum estimulo para o desenvolvimento do potencial daqueles que os cercam, coexistir com os mesmo não exige nem ao menos que se gaste o próprio potencial. Chego a pensar que a obrigatoriedade de interlocução com essas pessoas "emburreceria" até as mentes mais esclarecidas, afinal, a não necessidade de uso do intelecto certamente o atrofia.

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Deus, ou quer impedir os males e não pode, ou pode e não quer, ou não quer nem pode, ou quer e pode. Se quer e não pode, é impotente: o que é impossível em Deus. Se pode e não quer, é invejoso: o que, do mesmo modo, é contrário a Deus. Se nem quer nem pode, é invejoso e impotente: nem sequer é Deus. Se pode e quer, o que é a única coisa compatível com Deus, donde provém então a existência dos males? Por que razão é que não os impede.
(Epicuro)

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Qualquer bípede, com polegar opositor, massa cinzenta em funcionamento e o minimo de discernimento, tem consciência do quão pouco inteligente são as generalizações, isso é inquestionável, porém, em algumas circunstâncias, algumas características são tão persistentes em determinadas categorias de indivíduos, tornando-os tão passíveis de receberem para si atribuições generalizantes, que pouco inteligente seria não fazê-lo.
É preciso livrar-se desse zelo que nos fazem desenvolver para com os preceitos da exímia inteligência, as relações sociais se constantemente refletidas fazem de nós loucos ou babacas.

terça-feira, 14 de abril de 2009

Com o passar do tempo é inevitável que as pessoas se tornem levemente acretinadas, o máximo que pode variar é a dose, a intensidade e a frequência de uso dessa técnica de sobrevivência. Não há virtude que perdure mediante os percalços da vida. Tolice é acreditar naqueles que mantém a todo custo uma patética expressão afetuosa como se desejassem desarmar o desdém do mundo.

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Ninguém pode te salvar da lama movediça de ser você mesmo. O amor, assim como as outras válvulas de escape, são artifícios momentâneos, o sentimento quase alucinógeno que proporcionam é efêmero, breve, passageiro... em pouco tempo torna-se trivial, corriqueiro, a beira do abismo da insignificância com o mais intenso instinto suicida..

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Não há nada mais sem limites do que a estupidez humana. Consciente ou inconscientemente cometemos tolices que poderiam ser evitadas caso analisássemos regras tão básicas que ao serem apontadas causam risos por parecerem tão óbvias.
Irracionalmente adentramos em mares de tinta verde com o desejo ingênuo de sairmos dos mesmos coloridos de vermelho, e ainda maldizmos a sorte, o acaso, o destino e entidades metafísicas pelo desgosto do resultado obtido.

terça-feira, 31 de março de 2009

A autocrítica comumente é confundida com a autodepreciação, nas mais diversas circunstâncias e com os mais diversos propósitos.
A dificuldade reside em conseguir detectar quando se trata de uma estratégia medíocre de algum espírito mesquinho na busca de diminuir-se para atrair para si atenção ou elogios fazendo uso exacerbado da piedade alheia ou até mesmo da falsa modéstia, ou se estamos verdadeiramente diante de um ser cuja alma, assim como alude o velho Buk, reduziu-se até tornar-se uma espécie de pasta espiritual.
É deveras tolo inflar o próprio ego, mas desinflá-lo é um despropósito. E se o seu egocentrismo exige reconhecimento, na pior das hipóteses, invista no marketing pessoal, já que seus atributos expostos de forma espontânea não lhe garantem a atenção desejada.

segunda-feira, 23 de março de 2009

O direito à contradição deveria fazer-se presente entre os direitos humanos inalienáveis. Todo esse arsenal de julgamentos morais, atento a toda e qualquer incoerência praticada ou proferida verbalmente, tem apenas a utilidade de podar as potencialidades inerentes ao indivíduo.

domingo, 15 de março de 2009

Nos finais de semana nunca é possível, você pode passar a semana toda camuflando-se entre seus companheiros de trabalho, supostos amigos de faculdade, aspirantes a magros ou fortões de academia, sem que nenhum deles perceba absolutamente nada de estranho em você, são cinco dias da glória da normalidade, você pode transitar entre todos sem o risco de ser apedrejado ou mandado para Sibéria, mas não nos finais de semana.
Nos finais de semanas desse mundo pós-moderno o que fica subentendido é que você tem que pertencer a algo, a qual grupo é o menos importante, mas é obrigatório que você seja visto entre os demais, misantropia tornou-se uma das espécies mais condenadas de criminalidade. As perguntas que irão definir o seu grau de sociopátia serão feitas comumente nas sextas, ou nas segundas, ou então a fatal evidencia será fabricada naqueles típicos telefonemas de final de semana.

-Oi tudo bem, e aí, to te ligando para saber se vai fazer alguma coisa hoje a noite.

Tornou-se obrigatório fazer alguma coisa toda a noite, só porque é sábado. Essa obsessão urbanóide de aliviar a neurose a qualquer preço nos fins de semana, como se os que não praticassem os rituais purificadores, sejam eles de cunho religioso ou orgiástico, estivessem marcados com o sinal da besta.
Francamente.

sábado, 14 de março de 2009

_Abandonou-te?

_Pior ainda: esqueceu-me...

quarta-feira, 4 de março de 2009

Da indigesta arte de engolir sapos..

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

O problema é que algumas pessoas não são merecedoras nem ao menos do termo 'desinteressante', pois até este exige que se possua algum atributo. São verdadeiramente inadjetiváveis. Verbalmente costumam ser tão significativos quanto objetos inanimados, e quando falam, céus!, possuem o discernimento de um recém-nascido.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

Apelando para os preceitos da moral judaico-cristão, indiscutivelmente, disparidade intelectual caracteriza-se como o mais grave julgo desigual.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Da suicida arte de adentrar em barcos furados.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

O problema de não conhecer alguns pontos essenciais de um indivíduo, e coexistir com o mesmo, reside na constante e cansativa oscilação entre subestimá-lo e superestimá-lo...

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Ah! Como é ténue a linha que separa as palavras de romantismo das palavras triviais!

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Sim, evidentemente somos intrinsecamente sós, e quanto maior for a capacidade de assimilação desse fato, menos sofrimentos e transtornos possivelmente ocorrerão, mas levar essa questão ao extremo é insanidade. Pobres misantropos!

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Se elas conhecem os monstros da solidão? Obviamente! Frequentemente eles aparecem aos uivos, ferozes, vorazes, transmitem em seus olhos tipicamente vermelhos (assim como alude a santa televisão criadora de nosso inconsciente coletivo) a impressão de que dessa vez a glória do sucesso será atingida, o que lhes garantirá um altar com estofado macio para repousarem nos pequenos intervalos de uma injuria e outra. Mas elas já estão preparadas para esses ataques surpresa, livram-se deles aos berros, estéricos, mas inteligentemente controlados, e logo após uma bebida, um cigarro, uma página ou outra de qualquer bom escritor que domine o fluxo de consciência, os conselhos musicais da Tia Ângela (RôRô), e tudo está resolvido, resta apenas no rosto o sorriso sarcástico anunciando um: até a próxima!
Mulher sem medo de baratas tem como uma de suas características principais o fato de terem o ego assemelhado a demônios, e de manterem todos eles sempre acordados a postos para uma boa disputa com o ego alheio, principalmente quando notam que o ego de seu semelhante se travesti de qualquer coisa amena, opaca, insípida, angelical.
O que as torna perigosamente danosa à saúde física, mental e espiritual de seus semelhantes é que nunca deixam a real faceta do seu ego se apresentar em seus discursos, o que faz seres despercebidos dar subsidio para que as mesmas inflem seus egos, transformando o demônio que carregam em algo imensamente gigante, mal sabem eles, os interlocutores, que tudo que elas esperam é que a proporção da boca desses bichinhos que elas trazem dentro de si (e que os acariciam com mais precisão do que ao próprio clitóris) alcance tamanho bastante para abocanhar suas cabeças.
Sim, eu era alguém pertencente à classe de mulheres que não possuem medo de baratas. Certamente eu também arrumaria pontos de confusão nisso, algumas pessoas foram colocadas no mundo para não permanecerem por muito tempo com convicções, e de fato eu era uma delas, encontro-me agradavelmente distante de qualquer compromisso com a ciência-religião-coerencia e todas as suas derivações. Eu havia decido nutrir o apego a essa ausência de medo, e comecei, mentalmente, catalogar mulheres com a mesma característica. Obviamente, a primeira que me viria em mente é a Tia Rita (Lee), tudo que emana dela anuncia a ausência desse medo, penso nisso e imagino aquela imagem jovial que ela possuía (e ainda possui) quando era membro ativa dos Mutantes, aquele ar de rock engraçadinho de quem está com a bunda virada para toda e qualquer questão – social - existencial - moral – filosófica – religiosa – psicanalítica - literária e essa banalidade toda.
Mas eu havia cansado dela, ela foi deveras resistente, ultrapassou a expectativa de vida para continuar entre os mestres, depois de certa idade perde-se aquela aura de “dane-se”, tudo demonstra inegavelmente passagem por terapias, tratamentos prolongados, especialistas de diversas áreas e tantas outras técnicas de manutenção e prolongamento da vida.
Chega dar medo de um dia vê-la com os cabelos castanhos, toda vestida de branco, desprovida de seus óculos debochados, com um crucifixo no pescoço fazendo o especial de Natal da Globo no lugar do Rei, cantando aos berros “Jesus Cristo eu estou aqui” , sendo contemplada pelo marido que a aguarda com os olhinhos brilhantes, marido este que ela conheceu quando estava produzindo seu primeiro de uma série de curtas onde expunha todo o seu drama de como se livrou dos vícios ao encontrar Jesus.
Céus! Isso foi até nauseante, completamente infundado, mas não menos medonho por isso.