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sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Anoiteceu
Ouviu-se os gritos
Acontecia a discussão 

Mas ninguém haveria de socorrer uma insignificante Maria

Amanheceu
Encontraram o corpo
Esfaqueada pelo filho

Mas ninguém haveria de verter uma lágrima por uma insignificante Maria

domingo, 23 de fevereiro de 2014

Senhora M.A.

Descansa agora, Senhora M.A.
Sossega seu coração das angústias da vida
Tens agora o seu canto irrenunciável
Que acolherá o que foi contigo,
 sem cobrar retorno

Imagino ainda de ti o olhar pesaroso 
da ingratidão  dos viventes
Aquieto com certo conforto por recordar 
Que ainda lhe havia o prazer do chocolate

Imagino-te em sua partida solitária
E lamento pelo pertencimento a espécie humana

Pouco importa que teu fim seja reflexo do percurso realizado
Desejo a ti o descanso que só o findar proporciona
Deixo-te esse poema solto no vazio
 de nossa compartilhada insignificância 
Como teu último chocolate.

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

És pertencente, Alma Inquieta,
ao conjunto de alardeadores do desprazer.
Perde-se de si quando em meio ao acalanto,
e proclama seus males ao mais ínfimo anúncio dos mesmos.

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Dependência

O primeiro veio para amenizar a situação extrema
Em pouco tempo se deu conta de que a vida se tratava de uma situação extrema 

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

PEQUENO TRATADO COTIDIANO ACERCA DA HUMANIDADE XIII


               Equilibrar-se perante a ideia inquestionável de que a vida consiste em uma constante ponderação entre saber que nunca é tarde, mas que desde o momento em que se contempla a luz da existência, jamais será cedo, e que ampulheta que esgota as nossas possibilidades nunca para, nisto consiste a verdadeira sabedoria.

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Quer-se falar em ética
Se aposta no padrão
Estabelecido pela estética
 
Busca-se a liberdade
Parametrados por instrumentos
Imprecisos, restritivos e limitados
 
Aclama-se a necessidade de valores
Insatisfeitos com o que somos
Um amontoado de indivíduos
Vistos como disformes
 
 Pelas diferenças que,
Apesar da conotação negativa,
Constituintes da nossa maior dádiva
 Nos fazem

PEQUENO TRATADO COTIDIANO ACERCA DA HUMANIDADE XII


As pessoas vomitam seus valores ao mundo, na tentativa de criar parâmetros universais para o ‘dever ser’ da espécie. Tolos e toscos fazem-se ao vangloriar-se de seus ensinamentos, e principalmente ao tentar doutrinar aqueles que os cercam. Nenhum indivíduo há de ocupar, sob hipótese alguma, o local de perspectiva do outro, a lei da física atesta irrefutavelmente que dois corpos nunca ocuparão o mesmo lugar no espaço, e dessa forma, o mesmo ângulo nunca será visualizado por dois seres no mesmo espaço de tempo, e o tempo transcorrido jamais haverá de ser resgatado.
Dessa forma, a noção advinda da experiência haverá de permanecer individual pela posteridade. Entretanto, por mais óbvio que devesse parecer ao entendimento geral, ainda há os que atribuem à negativa das “receitas de bolo existencial” um ato de arrogância, mau entendimento, e princípio da ignorância.
As cartilhas para padrão de comportamento e de pensamento multiplicam-se indefinidamente. As religiões, e suas instituições correlatas, anunciam-se em todas as direções, e a espécie aclama, contraditoriamente, sob um viés na perspectiva da liberdade de escolha, e sob outro na busca pelos deuses para idolatrar, e nesse paradoxo infindável, os que sabem lidar com flexibilidade, extrema malícia, e absurda imbecilidade, seguem orquestrando um bando interminável de boçais. 

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

PEQUENO TRATADO COTIDIANO ACERCA DA HUMANIDADE XI


Não fomos programados para efetivamente nos darmos conta da angustiante atrocidade daquilo que somos e praticamos.
Essa nossa habilidade inconfundível, e de artimanhas pessoais incopiáveis, com que criamos e aperfeiçoamos os nossos mecanismos ardilosos de coexistência, em que os maiores ludibriados com a nossa falta de integridade e dignidade expostas inconscientemente nas entrelinhas, e manifestas nos entremeios de nossas atitudes, somos nós mesmos. 
Fabricamos a criatura para engolir as nossas cabeças de criadores.
Aficionados com o idealismo moral, não nos damos conta de que, se a língua é o chicote do corpo, o silêncio de consentimento por conveniência é o chicote da alma.

sábado, 11 de agosto de 2012

Calar os tolos! Imperativo de cunho ditatorial que extrapola o âmbito do meramente apreciável e  necessário, para adentrar ao rol do imprescindível na manutenção da espécie! 
Afinal, não há liquido gástrico capaz de fazer com que seja digerida a idiotice alheia enfiada goela abaixo no transcorrer dos dias, assim como não há lavagem cerebral que possibilite a aceitação amigável da mesma, e muito menos artifício psicológico para fazer com que se acredite que seja o interlocutor do idiota o individuo responsável por desenvolver o autocontrole e a paciência para não atear fogo neste.

PEQUENO TRATADO COTIDIANO ACERCA DA HUMANIDADE X


Há os que vivem da afetividade torpe despendida por medíocres bajuladores que empenhoram sua alma em troca em favores baratos, e manifestam seu ódio contra aqueles que possuem postura diferenciada, na mesma proporção da imensurável pobreza de espírito que carregam.

Os mitos
Que sustentam
Os ritos

Os detritos
Do que outrora
Materializavam
Os ritos

Deteriorados
Pelos conflitos
Culminados
Nos atritos

Desfazendo
Os ritos

Perfazendo
Com outros tipos

Os novos
E sempre tão antigos

RITOS


PEQUENO TRATADO COTIDIANO ACERCA DA HUMANIDADE VIII

Inúmeras são as voltas dadas pela vida, imprevisíveis pela nossa idealização e verbalização sobre aquilo que não conhecemos, e previsíveis pelo protocolo de todos os dias de todas as vidas em todas as épocas.

terça-feira, 24 de julho de 2012


Ácido arsenal que corrói as entranhas
Flácida firmeza dos seres em parcas artimanhas
E a vida não é um osso que se rói fácil

PEQUENO TRATADO COTIDIANO ACERCA DA HUMANIDADE VII


Humanidade: Um amontoado de iguais que sobrevivem no e do autoengano, na tentativa de buscar ressaltar aquilo que supõe possuir de excêntrico e diferenciado, para posteriormente se juntar a outro amontoado de iguais em proporção reduzida, com a única finalidade de poder ter legitimado aquilo que imagina sustentar o seu império ideal.

E na primeira catástrofe, tudo se dissolve e nos vemos como um, e nesta unidade, identificamos o angustiante nada que somos.

sábado, 21 de julho de 2012

PEQUENO TRATADO COTIDIANO ACERCA DA HUMANIDADE VI

 No fim de todo prognóstico as pessoas não passam de toscas nos desvarios demonstrativos e espontâneos de si. Todos animalescos, com variações deveras imperceptíveis de grau de domesticação

PEQUENO TRATADO COTIDIANO ACERCA DA HUMANIDADE V


O ápice da tolice é o ponto culminante dos seres demasiado comunicativos.

Não há quem tenha tanto a ser dito, e não perdura a sabedoria que se vocifera no cotidiano.

E aquele que não reverencia periodicamente o silêncio e a observação de si, a análise minimalista e ponderada do outro, e o reconhecimento trabalhoso por desgastante e contínuo de todo terreno que pisa, por conta da própria metamorfose do mesmo: Chafurda na ignorância, e vegeta nas fezes cotidianas.

PEQUENO TRATADO COTIDIANO ACERCA DA HUMANIDADE IV


Pobre animal humano que tem como marca primordial de sua racionalidade a necessidade grotescamente ridícula e irritante de reconhecimento.
Ridícula pela negação persistente da própria condição medíocre e angustiante da matéria da qual é composto, e das manifestações irrisórias de nossas virtudes, que além de poucas e parcas, são precárias, dissolvem-se com o passar dos dias no percurso da existência.
Irritante por tratar-se de uma exposição de egos; e um ego nunca está verdadeiramente disposto ao árduo trabalho de receber e digerir as manifestações egoisticamente egóicas do outro. Históricas batalhas de exposição de si; poucos holofotes para tantos supostos seres dignos de receber um foco de luz.
E a aceitação da insignificância tarda, e quando chega, pena-se para viver e procrastina-se de maneira perturbadora para morrer, perdurando a indignidade de tudo que há de humano.

PEQUENO TRATADO COTIDINO ACERCA DA HUMANIDADE III


E preciso estar livre e aberto 
à contradição
É necessário aceitar as condicionantes 
do pensamento
Que resulta na manutenção deste
em constante fluxo

Mas a espécie tende a inércia
Motivados pela aversão a toda espécie de mudança

sexta-feira, 13 de julho de 2012

PEQUENO TRATADO COTIDIANO ACERCA DA HUMANIDADE II


E isso são os seres:
Profissionalizados em sua hipocrisia
Especializados em sua covardia
Hipocrisia para com o entendimento daquilo que vêem
Covardia na aceitação do entendimento daquilo que constatam
E todos somos mestres da enganação e do autoengano

terça-feira, 10 de julho de 2012

Pequeno tratado cotidiano acerca da humanidade

Tantos seres envoltos por essa aura de busca pela beleza
Quão irritáveis são quando questionados em suas motivações
Quão inconsistentes seus argumentos quanto ao que pensam mover seus atos
E quão irritante essa inconsciência e negação da burrice em que consistem