terça-feira, 18 de janeiro de 2011
É possível que a poesia não lhe toque da mesma maneira que deveras paralisa os meus sentidos, e que as palavras sejam apenas algo que lhe surgem como meio óbvio e elementar de interação com os demais. E que minhas músicas cheguem até você como mera prova cabal do meu pieguismo desmedido, descontextualizado, e fora de tudo o que poderia esperar dentro dos padrões que lhe foram apresentados. Pode ser também que a minha cafonice o envergonhe em determinadas circustâncias. Ou que, por vezes, o que eu venha a dizer seja totalmente estranho, descolado da aparente realidade que tomas como única e certa. Mas, meu bem, estas em tudo aquilo que sou e que amo, mesmo sendo possível que talvez nunca entenda...
sexta-feira, 14 de janeiro de 2011
“E tem gente maravilhosa que, de repente, vai ficando longe, difícil de ver – e aí dança. Mas também acho que aquilo que é bom, e de verdade, e forte, e importante – coisa ou pessoa – na sua vida, isso não se perde. E aí lembro de Guimarães Rosa, quando dizia que “o que tem de ser, tem muita força”. A gente não tem é que se assustar com as distâncias e os afastamentos que pintam.”
- Caio Fernando Abreu.
segunda-feira, 3 de janeiro de 2011
sexta-feira, 31 de dezembro de 2010
Vai, ano velho
Vai, ano velho, vai de vez,
vai com tuas dívidas
e dúvidas, vai, dobra a ex-
quina da sorte, e no trinta e um,
à meia-noite, esgota o copo
e a culpa do que nem me lembro
e me cravou entre janeiro e dezembro.
Vai, leva tudo: destroços,
ossos, fotos de presidentes,
beijos de atrizes, enchentes,
secas, suspiros, jornais.
Vade retrum, pra trás,
leva pra escuridão
quem me assaltou o carro,
a casa e o coração.
Não quero te ver mais,
só daqui a anos, nos anais,
nas fotos do nunca-mais.
Vem, Ano Novo, vem veloz,
vem em quadrigas, aladas, antigas
ou jatos de luz moderna, vem,
paira, desce, habita em nós,
vem com cavalhadas, folias, reisados,
fitas multicores, rebecas,
vem com uva e mel e desperta
em nossso corpo a alegria,
escancara a alma, a poesia,
e, por um instante, estanca
o verso real, perverso,
e sacia em nós a fome
- de utopia.
Vem na areia da ampulheta com a
semente que contivesse outra se-
mente que contivesse ou-
tra semente ou pérola
na casca da ostra
como se
se
outra se-
mente pudesse
nascer do corpo e mente
ou do umbigo da gente como o ovo
o Sol a gema do Ano Novo que rompesse
a placenta da noite em viva flor luminescente.
Adeus, tristeza: a vida
é uma caixa chinesa
de onde brota a manhã.
Agora
é recomeçar.
A utopia é urgente.
Entre flores de urânio
é permitido sonhar.
vai com tuas dívidas
e dúvidas, vai, dobra a ex-
quina da sorte, e no trinta e um,
à meia-noite, esgota o copo
e a culpa do que nem me lembro
e me cravou entre janeiro e dezembro.
Vai, leva tudo: destroços,
ossos, fotos de presidentes,
beijos de atrizes, enchentes,
secas, suspiros, jornais.
Vade retrum, pra trás,
leva pra escuridão
quem me assaltou o carro,
a casa e o coração.
Não quero te ver mais,
só daqui a anos, nos anais,
nas fotos do nunca-mais.
Vem, Ano Novo, vem veloz,
vem em quadrigas, aladas, antigas
ou jatos de luz moderna, vem,
paira, desce, habita em nós,
vem com cavalhadas, folias, reisados,
fitas multicores, rebecas,
vem com uva e mel e desperta
em nossso corpo a alegria,
escancara a alma, a poesia,
e, por um instante, estanca
o verso real, perverso,
e sacia em nós a fome
- de utopia.
Vem na areia da ampulheta com a
semente que contivesse outra se-
mente que contivesse ou-
tra semente ou pérola
na casca da ostra
como se
se
outra se-
mente pudesse
nascer do corpo e mente
ou do umbigo da gente como o ovo
o Sol a gema do Ano Novo que rompesse
a placenta da noite em viva flor luminescente.
Adeus, tristeza: a vida
é uma caixa chinesa
de onde brota a manhã.
Agora
é recomeçar.
A utopia é urgente.
Entre flores de urânio
é permitido sonhar.
Affonso Romano de Sant'Anna
sábado, 25 de dezembro de 2010
quinta-feira, 23 de dezembro de 2010
quarta-feira, 22 de dezembro de 2010
sexta-feira, 17 de dezembro de 2010
quinta-feira, 16 de dezembro de 2010
segunda-feira, 13 de dezembro de 2010
quinta-feira, 9 de dezembro de 2010
Eternidade inútil - Cecília Meireles
Até morrer estarei enamorada
de coisas impossíveis:
tudo que invento, apenas,
e dura menos que eu,
que chega e passa.
Não chorarei minha triste brevidade
unicamente a alheia,
a esperança plantada em tristes dunas,
em vento, em nuvens, n'água.
A pronta decadência,
a fuga súbita
de cada coisa amada.
O amor sozinho vagava.
Sem mais nada além de mim...
numa eternidade inútil.
de coisas impossíveis:
tudo que invento, apenas,
e dura menos que eu,
que chega e passa.
Não chorarei minha triste brevidade
unicamente a alheia,
a esperança plantada em tristes dunas,
em vento, em nuvens, n'água.
A pronta decadência,
a fuga súbita
de cada coisa amada.
O amor sozinho vagava.
Sem mais nada além de mim...
numa eternidade inútil.
quarta-feira, 8 de dezembro de 2010
De quando pensa-se em chafurdar...
Entre aquilo que há de ser estabelecido
E tudo o que necessita ser restabelecido
Reside uma infinidade de possibilidades
Por vezes tortuosas, por ora nauseantes
É quando, por alguns instantes,
Cogita-se o quão tranqüilo seria existir
Caso a existência fosse uma instituição que exigisse uniforme.
Essa ausência sem nome...
[por quem a voz gritaria?]
Essa falta sem rosto...
[em que imagem o possível desesperar se firmaria?]
Essa saudade do inominável...
[por que elemento eu reclamaria?]
A mesma lembrança persistente
Do que outrora,
fez-se terreno fértil no imaginário
Mas que fora,
objetivamente,
deveras fantasioso e inexistente
Esse desejo voltado unicamente para dentro de si
Sem forma, sem gosto...
mas de plenitude inquestionável
E essa vontade do outro,
possuidor da doçura que o meu ser não abriga.
O despertar da controvérsia
A persistência do paradoxo
O mesmo espaço impreenchível e em expansão...
terça-feira, 7 de dezembro de 2010
segunda-feira, 6 de dezembro de 2010
Do [auto] apelo desesperado...
Procura-se,
dentro ou fora,
Reservatório de forças
para atravessar dezembro
sem ceder ao doce encanto da loucura
dentro ou fora,
Reservatório de forças
para atravessar dezembro
sem ceder ao doce encanto da loucura
sábado, 4 de dezembro de 2010
Dos tiros no pé...
Ah! Os intrinsecamente sinceros!
Alvos fáceis em todas as circunstâncias
Até os que associam a tal estigmatizante característica à discrição
Falsamente proclamada como capaz de promover a manutenção da coexistência dos poucos habilitados para a mesma
Analogicamente posta como possuidora dos efeitos da água
Solvente universal de qualquer substância
Nem mesmo os mais bem articulados artifícios são capazes de camuflar tal peculiaridade
Nem a discrição os permite escaparem ilesos
Dos efeitos invariavelmente devastadores
Da incurável e espalhafatosa sinceridade
sexta-feira, 3 de dezembro de 2010
Alice Vieira - Cadernos de Agosto
" “Nenhum homem é de fiar”, diz sempre a Luciana ao fim-de-semana.
As paixões eternas da Luciana duram quase sempre oito dias. Ao fim desse tempo ela morre de amor, descobre que afinal nasceu para freira ou deixa-se convencer pela Super-fixe que as mulheres solteiras são as de maior encanto e sedução.
Depois na segunda-feira seguinte esbarra com um qualquer moreno de olhos verdes (loiro de olhos azuis, moreno de olhos castanhos, loiro de olhos verdes, ruivo de olhos pretos, para o caso tanto faz), e volta tudo ao princípio.”
Alice Vieira (Lisboa, 1943)
Jornalista e escritora, licenciada em Filologia Germânica.
quarta-feira, 1 de dezembro de 2010
segunda-feira, 29 de novembro de 2010
De quando o maluco [NÃO] sou eu...
Não, eu não tenho um sorriso pronto para quando solicitado, não adianta os clamores explícitos e implícitos insistirem para tal, eu não vou sorrir se não estiver disposta e se isso não fluir do mais puro, limpo e sincero dos meus desejos, ou da vontade incontrolável dos meus músculos faciais, ou até mesmo quando o meu sarcasmo, e meu humor ácido não aguentarem prender os dentes escondidos dentro da boca.
Qual é a dessas pessoas que pelo simples fato de ouvirem o imperativo: Sorria! já estão com os dentes à mostra como se estivessem frente a um grande e suculento bolo de chocolate coberto com morangos frescos?
Para a boa convivência, o máximo que podem ser capaz de tirar de mim é a boa e velha cara de paisagem, que me acompanha por todo o percurso existencial, totalmente pertinente até o presente momento, apaziguadora dos males provocados pelas diferenças incontornáveis entre os quais a convivência se faz imprescindível.
Agora sorrir não, sorrir não é possível, e forjar o sorriso é comprovadamente ineficaz. Se eu não quiser, se eu não estiver com vontade, e não for motivada pelos meus próprios anseios ou pelos estímulos alheios, eu não vou sorrir! e pronto! sem abertura para negociações!
quinta-feira, 25 de novembro de 2010
quarta-feira, 24 de novembro de 2010
Do processo de metamorfose...
Daquilo tudo que outrora era medo paralisante...
Hoje não ultrapassa o mero trabalho mental decorrente do tédio e do ócio, insignificante
E das importâncias consideradas
E certezas que supunha resistentes,
não fora nada além de folhas ressequidas
Apenas resquícios imperceptíveis de pensamentos irretornáveis
terça-feira, 23 de novembro de 2010
segunda-feira, 22 de novembro de 2010
De quando me [re]conheço...
Imagino que o menos importante seja o momento em que isso aconteceu. Afinal, meu ceticismo não me permite levar muito a sério qualquer teoria que possa vir a se apresentar como possibilidade redentora, e isso inclui as psicologizantes que supõem que a elucidação da origem das situações possam ser o principio de sua resolução. O fato é que, muito provavelmente houve um momento em que decidi, ou que as circunstâncias me forçaram a tal, mas, independentemente, tornei-me uma exímia Expectadora da Existência, com teores requintados de profissionalismo na arte.
E isso se evidencia com ainda mais ênfase nessas épocas do ano, em que, por uma infeliz ironia do velho sarcástico que costumamos chamar de Acaso, o contexto geral em que se está culturalmente inserido, faz com que as portas das redomas se abram, e a socialização se exacerbe desmedida, desproposital e incontrolavelmente. E eu, em meio a todo esse excesso de luz e esse excesso de nada a dizer sendo demasiadamente dito, reafirmo a minha convicção do quão acolhedor é o aconchego dos meus aposentos localizado nos bastidores, de onde se pode apenas observar, e vez ou outra vomitar uma poesia melancólica, ou alimentar uma possibilidade de amor a não ser correspondida.
Do generalizado cansaço....
Há dias em que de nada vale tentar salvar-se pela beleza
em que nem a doçura acalma a alma epilética
Há dias em que nada abranda,
que os subterfúgios habituais já não proporcionam acalanto
Em que as pernas tremem compulsivamente sem motivo aparente
Há dias em que as mãos não descançam em busca de ocupar-se para esquecer-se
E o coração saltaria pela boca se não ficasse preso entre os dentes
Os sentidos ousam, por alguns segundos, deixar suas funcionalidades...
Os sentidos ousam, por alguns segundos, deixar suas funcionalidades...
O corpo dando sinais de que a qualquer momento será paralisado por absoluto
E a mente, na incansável contraditoriedade,
Nem ao menos apresenta indícios da possibilidade de piedosamente diminuir sua velocidade
sexta-feira, 19 de novembro de 2010
Do tardio entendimento....
Eu era um abismo imperscrutável
de dimensões imensuráveis
havia momentos em que me via
sufocar pela falta de ar,
e adoecer pela ausência de luz
Perdia por absoluto o vínculo com a realidade
e tornava-se apenas um imaginário incontrolável
chegando a acreditar-se como não mais pertencente à espécie
Incompreensível e inomivável pelo outro
e pelo eu inalcançável
Imersa no mais profundo abismo de si,
por si,
e para si.
quinta-feira, 18 de novembro de 2010
Da hora de partida...
Não, não me peçam para fazer as malas,
as mãos estão a amparar o peso intolerável das lembranças
Encontro-me em definitiva partida
e deixo também aqui o invúlucro que me protegia
Aqui já não mais estou...
Não enviem os pertences que deixei
As fantasias penduradas no armário
que julgaram haverem sido esquecidas
foram abandonadas, não sobrevivo de antiquários
Aqui já não mais estou...
E já não deixo rastros
pois, já não há aquilo que fui...
e nada
absolutamente nada
posso saber do descontínuo que serei
Do tornar a [D]existência [IN]tragável....
A doçura leve das palavras...
invadindo a aspereza das minhas angústias reincidentes,
As mentiras que incentivo ...
em prol do obscurecimento da realidade enfadonha
Meus castelos de areia ...
sobre os quais diariamente me debruço na construção incansável
De concreto: apenas a existência
De [in]correto: apenas a persistência
De humano: TUDO!
quarta-feira, 17 de novembro de 2010
Do [des] entender o caos incansável...
Mas é que além da minha não habilidade de apreciar mansamente as transições
não me proveram dos mecânismos amortecedores do impacto da mudança
nem ao menos me amaldioçoaram com a peste paralisante da inércia e da constância
Eis que a todo tempo me movo por onde as pernas alcançam
e nada do que vejo ou sinto chegam a mim como um porto
As idéias e palavras desconexas,
as ações comedidamente impulsivas,
e a noção do paradoxo persistente
Destoantes dançam
no infindo espetáculo imaginário
dos polos extremos de contentamentos oscilantes
da tragédia da minha existência...
segunda-feira, 15 de novembro de 2010
domingo, 14 de novembro de 2010
sábado, 13 de novembro de 2010
sexta-feira, 12 de novembro de 2010
quinta-feira, 11 de novembro de 2010
quarta-feira, 10 de novembro de 2010
Houve um poema,
entre a alma e o universo.
Não há mais.
Bebeu-o a noite, com seus lábios silenciosos.
Com seus olhos estrelados de muitos sonhos.
Houve um poema:
Parecia perfeito.
Cada palavra em seu lugar,
como as pétalas nas flores
e as tintas no arco-íris.
No centro, mensagem doce
E intransmitida jamais.
Houve um poema:
e era em mim que surgia, vagaroso.
Já não me lembro, e ainda me lembro.
As névoas da madrugada envolvem sua memória.
É uma tênue cinza.
O coral do horizonte é um rastro de sua cor.
Derradeiro passo.
Houve um poema.
Há esta saudade.
Esta lágrima e este orvalho - simultâneos -
que caem dos olhos e do céu.
Cecília Meireles
entre a alma e o universo.
Não há mais.
Bebeu-o a noite, com seus lábios silenciosos.
Com seus olhos estrelados de muitos sonhos.
Houve um poema:
Parecia perfeito.
Cada palavra em seu lugar,
como as pétalas nas flores
e as tintas no arco-íris.
No centro, mensagem doce
E intransmitida jamais.
Houve um poema:
e era em mim que surgia, vagaroso.
Já não me lembro, e ainda me lembro.
As névoas da madrugada envolvem sua memória.
É uma tênue cinza.
O coral do horizonte é um rastro de sua cor.
Derradeiro passo.
Houve um poema.
Há esta saudade.
Esta lágrima e este orvalho - simultâneos -
que caem dos olhos e do céu.
Cecília Meireles
Michael Parkes
Tudo varrido para longe dos pés
Isto - é a imensidão -
Emily Dickinson
Poemas e Cartas (Trad. Nuno Júdice)
Digo-te por isso
que não me obrigues a luz.
Que escrever não é fácil,
que viver não é fácil
quando começamos a frase a meio.
Que lavo a cara ao chegar tão tarde
e mesmo assim o dia não se despega,
e mesmo assim
tu não estás, ninguém está.
Que não tenho espaço na minha secretária,
na minha vida, na minha cama
para tanto espaço.
Que já me disseram urbana,
e nem por isso me disseram decadente,
e que eu gostei.
Que já me disseram
muitas vezes
disfarçadamente triste,
e que por isso, por ser triste, por
sermos todos tristes, não mo deviam dizer.
Digo-te por isso
que não era minha intenção dizer-te mais uns versos
tristes e sem luz, e por isso, só por isso,
não era minha intenção dizer-te nada
Filipa Leal
que não me obrigues a luz.
Que escrever não é fácil,
que viver não é fácil
quando começamos a frase a meio.
Que lavo a cara ao chegar tão tarde
e mesmo assim o dia não se despega,
e mesmo assim
tu não estás, ninguém está.
Que não tenho espaço na minha secretária,
na minha vida, na minha cama
para tanto espaço.
Que já me disseram urbana,
e nem por isso me disseram decadente,
e que eu gostei.
Que já me disseram
muitas vezes
disfarçadamente triste,
e que por isso, por ser triste, por
sermos todos tristes, não mo deviam dizer.
Digo-te por isso
que não era minha intenção dizer-te mais uns versos
tristes e sem luz, e por isso, só por isso,
não era minha intenção dizer-te nada
Filipa Leal
terça-feira, 9 de novembro de 2010
segunda-feira, 8 de novembro de 2010
domingo, 7 de novembro de 2010
sexta-feira, 5 de novembro de 2010
Charles Edouard Edmond Delort - A Voluptuous Smoke
Coloca uma palavra
no vale da minha nudez
e planta florestas de ambos os lados,
para que a minha boca
fique toda à sombra.
Ingeborg Bachmann
quarta-feira, 3 de novembro de 2010
Harry Wilson Watrous (1857 – 1940)
A casa desabitada que nós somos
pede que a venham habitar,
que lhe abram as portas e as janelas
e deixem passear o vento pelos corredores.
Que lhe limpem
os vidros da alma
e ponham a flutuar as cortinas do sangue
– até que uma aurora simples nos visite
com o seu corpo de sol desgrenhado e quente.
Até
que uma flor de incêndio rompa
o solo das lágrimas carbonizadas e férteis.
Até que as palavras de pedra que arrancamos da língua
sejam aproveitadas para apedrejarmos a morte.
Albano Martins
pede que a venham habitar,
que lhe abram as portas e as janelas
e deixem passear o vento pelos corredores.
Que lhe limpem
os vidros da alma
e ponham a flutuar as cortinas do sangue
– até que uma aurora simples nos visite
com o seu corpo de sol desgrenhado e quente.
Até
que uma flor de incêndio rompa
o solo das lágrimas carbonizadas e férteis.
Até que as palavras de pedra que arrancamos da língua
sejam aproveitadas para apedrejarmos a morte.
Albano Martins
terça-feira, 2 de novembro de 2010
segunda-feira, 1 de novembro de 2010
Assinar:
Postagens (Atom)














































...jpg)





..jpg)