quarta-feira, 10 de dezembro de 2008
o líquido tombado dos copos misturava-se com a cinza dos cigarros. restava ainda na mesa pedaços de um passado passado a limpo. cada minuto fazia-se interminável. o acaso havia condenado os dois a digerirem aquela história frente a frente. qualquer manifestação de desalento seria derramada nos olhos do outro. ela que sempre teve os olhos fugitivos agora o inundava de sentimentos gélidos. ele martirizava-se por tê-la apunhalado com tantas delicadezas e falsas promessas que jamais seriam cumpridas. nada mais se poderia esperar daquela junção de insonias profundas e sonos intermináveis. era o fim das noites de ciclos etílicos bukovskiano.
domingo, 7 de dezembro de 2008
Como era de se esperar, a situação estava ocorrendo assim como ela imaginou, e no momento exato, exatamente na hora em que ela havia suposto, eis que ele aparece, o semblante de sempre, aquele ar transmitindo a impressão de que haviam se visto apenas a poucas horas e que ele estava sendo esperado, em outras situações isso já havia lhe causado uma certa irritação, mas agora não lhe provocava nenhum sentimento negativo, o que ela sentia era uma profunda satisfação por estar certa de que dessa vez os planos dele seriam frustrados.
Cheia de si ela foi até onde ele estava e deixou que ele falasse, ela se limitava apenas a responder o que ele perguntava, e eis que surge a proposta, como sempre, nada inovador, ela não compreendia como foi capaz de perder tanto tempo com um humano que a fez ler um livro de micro história, e que tinha em mente apenas programas detestáveis em lugares e com pessoas igualmente detestáveis.
Surtou por alguns segundos e começou repetir baixinho para si: "Ah, então foi pra ele que eu dei meu coração e tanto sofri? Amor é falta de QI, tenho cada vez mais certeza". Apesar de nem ao menos ter chegado a amá-lo, ela sempre se feria por seu excesso de sentimentalismo em todo relacionamento que se envolvia.
Voltou a si. Perguntou a ele se recordava quanto tempo não se encontravam, riu descaradamente na cara dele com o ar mais debochado que encontrou ao ouvi-lo dizer que deviam fazer umas três semanas, e aproveitou para dar um de seus conselhos sarcásticos de que ele deveria levar mais a sério a multidisciplinariedade, a História deve ter deteriorado o senso numérico dele, ou ele realmente pensou que a enganaria? afinal, confundir dois meses com três semanas não é algo tão comum de acontecer, não dava para relevar mais uma de suas tolices.
No fundo o que ela queria era encontrar uma forma categorica de mandá-lo para o inferno, não poderia abrir mão de sua sutileza por tamanha insignificancia, ela poderia passar muito tempo desinflando o ego e destruindo-o com seu imenso arsenal de ofensas travestidas de eufemismos, mas não, isso prolongaria a presença dele, e quanto maior fosse o periodo em que ela passasse falando, ele se sentiria no direito de usar a mesma proporção de tempo com explicações, e não era isso que ela desejava... se limitou a mandá-lo embora e dizer que não era mais bem vindo em sua vida... (se livrara de mais um 'fantasma').
sexta-feira, 5 de dezembro de 2008
domingo, 30 de novembro de 2008
sábado, 29 de novembro de 2008
Só por hoje queria ter aquela voz suave novamente me dizendo:
- "Uma rosa para deixar seu dia mais bucólico"
- "Um livro para sua alma impulsiva serenar"
Vou esquecer que meu coração não está partido, que ninguém foi embora e que tudo em mim é extremamente convencional a ponto de eu ser quase invisivel.
Hoje eu quero apreciar a fossa, como se minha vida pudesse servir de inspiração para um blues, quero acreditar que tudo está perdido, que existe alguém que foi embora para nunca mais voltar, e que minha ressaca moral será eterna.
- Caio Fernando Abreu
sábado, 22 de novembro de 2008
quinta-feira, 20 de novembro de 2008
Que seja firmado na inconsequência, que as bases não se sustentem por muito tempo... Quero o efêmero, a fragilidade de um castelo de areia, e a profundidade da ternura das coisas findas.
Interno, inteiro, intenso.. sinto por si só, as influências externas são meros agravantes... Deixo que os objetos idealizados tenham a autonomia de se enquadrarem (ou não) em minhas definições.
Amante dos leitores de entrelinhas!
Quão terrível é a sua limitação!
domingo, 16 de novembro de 2008
Em meio a tanta vulgaridade, as coisas perdem o sentido estrito que antes lhes eram atribuidos. E enquanto uns forjam amizades, outros forjam amores.
Seriam todos hipócritas, ou estariam simplesmente se adaptando ao contexto?
sexta-feira, 3 de outubro de 2008
sábado, 27 de setembro de 2008
Mitos, crenças, crendices entre outros diversos artifícios permeiam a mente de tais seres desprovidos do mínimo de inteligência que desperta o entendimento do óbivio e a persepção de tudo que cerca suas vidas medíocres.
troquemos o pão e circo por óculos!
sexta-feira, 26 de setembro de 2008
e você demorará muito tempo para descobrir de onde está vindo a música, em determinados momentos até terá a impressão de estar avistado a orquestra, mas não se deixe levar por aqueles que figem ter o domínio de uma ou outra nota musical, aquele que rege sempre estará com o rosto encoberto.
seus interesses serão catalogados por terceiros, suas preferências serão pré determinadas por parâmetros que não serão definidos por você, e sempre haverá forças coercitivas com poder de persuasão suficiente para trazer você de volta caso tente romper com os limites.
eles vão insistir que você persista, com seus olhares de piedade tentarão fazer com que acredite em uma porção de lorotas, e o intuito será sempre o mesmo : fazer com que você dance, deixar seus passos em sincronia com o restante de baile da vida, e toda dança te entertirá, e por trás das cortinas vermelhas, seu futuro estará sendo tramado, a nova música estará sendo criada, os novos paços sendo programados, e todo o seu figurino projetado e o seu trabalho será reduzido, o intuito é sempre o mesmo, que você dance.
tentarão fazer com que se sinta importante mesmo você estando entre os figurantes, te pouparam do brilho das lantejoulas alegando não querer ofuscar o brilho dos seus olhos e você nunca estará entre os que vestem e exibem o extravagante vermelho, e suas piruetas serão dadas exclusivamente quando notar um chapáu de bobo da corte em sua cabeça, e nunca estarão rindo com você, mas sim de você, mas os risos certamente não irão durar muito tempo pois isso poderia inflar seu ego, e essa nunca será a intenção.
e não será permitido que você se ire, a ira se tornará perigosissíma, qualquer sinal de subversão será reprimido por forças ideológicas maiores do que o seu acervo de informação mental, e você nunca terá acesso a todo material informativo, lhe será passado apenas o fundamental para que exerça sua função dando um belo espetáculo
tudo até que chegue o fim, acompanhado lentamente e agradávelmente de uma marcha fúnebre.
quarta-feira, 24 de setembro de 2008
Primeiramente, ou não tão primeiramente assim, sofri meu primeiro divórcio neste ano, quase uma vedadeira separação conjulgal, minha segunda experiencia fora de casa também não deu certo, conheci as pessoas, me desconheci, decepcionei-me e aos outros, senti remorso, carreguei o peso das minhas escolhas erradas, sem saber se tive oportunidade de fazer as ditas escolhas certas, alguns seres possuem em seu caminho apenas a via errada.
Tentei abraçar o mundo, iniciando dois cursos que eu não desejava, não trabalhei, não dei o melhor de mim nas duas faculdade, não tive forças para levar meu estágio do modo adequado condizente com o meu potencial, enfim, fracassei, perdi um curso, me arrasto no outro. Não vejo expectativas, não vejo caminho, terei que começar todo meu trajeto novamente, por descuido, por descaso, por um aglomerado de erros, de escolhas equivocadas...ah céus, por que, diabos, tive que ir tão longe, agora parar é quase impossivel, seguir... inevitável...
Depois daquele divórcio forçado me vejo em meio a usuárias de droga, aspirantes a alcoolatras e pessoas com vida sexual promiscua. Sem falsos moralismos, não é o caso, diferente delas, que cometem todos os erros visiveis, eu, que transpareço a maior pureza, peco com as piores atrocidades, possuo a alma imunda, carrego uma sujeira sem fim por dentro. Mas apesar dos pesares, não estou feliz em meio a libertinagem, se pudesse realizaria um exorcismo na minha vida, ou qualquer ritual que libertasse esses demonios...
E elas, sempre tão presentes, sempre ao meu lado, com seus problems inusitados, não queria que fosse dessa forma, elas que gostam delas, mas que possuem o coração de anjo, e eu, que por eles ainda espero, essa alma imunda, mas o que poderia fazer? as circunstancia me empurraram, eu não podia, eu não devia, eu não me distanciei, eu decai, fui decadente, vadia decadente, vadia sem nem ao menos ser vadia, me perdi, e perdi o que havia de mal em mim, e vi que não restava mais muita coisa.
Eu, que te amava tanto, que te vi decadente, que te vi decair, e vi tu tornaste mais um humano entre tantos outros, Céus, mais uma decepção, mais um erro, inumeras palavras ditas sem nenhum significado...
preciso me achar para depois me perder... não me sinto... não me acho... Diabos, não morro.
Mas consagro que não tenho mais caminhos, declaro minha derrocada.
eis o grito final.
terça-feira, 23 de setembro de 2008
Fique calma, querida, todos eles foram embora, mas você ainda está aqui
Tudo bem, eu sei, você não faz questão de estar aqui...
Afinal, qual é o seu problema?
Do que estão te tratando? Está ciente do que está acontecendo contigo?
Tudo bem que seu ano ainda não acabou e que você já possui toda uma história trágica que te perturba... Esse foi um ano de separações drásticas, descobertas decepcionantes... Pessoas mostrando seu lado mais deplorável, mas e você? O que você significou para essas pessoas que te deixaram o que fizestes por elas? Fizestes algo para não partirem?
Mas não se preocupe, estou longe de lhe recriminar, eu sei tudo o que se passa, sei que eles foram porque era hora de irem, já tinham feito um estrago na sua vida, mas foram embora, agora você já pode descansar, vai ficar tudo bem.
Bom seria se eles tivessem ido embora antes, talvez o estrago fosse bem menor, você não teria feito tanto mal a si mesmo se eles tivessem partido mais cedo, eles deixaram você cheia de cicatrizes, mas e você? Também não levou pedaços deles embora? Passou despercebida? Fez com que eles se sentissem idiotas? Afinal, era o que pensavam de você, não é?
Você que carrega esse ar de superioridade, esse perfeccionismo, esses seus detalhes irrelevantes... Esse peso da irrelevância da vida
você que carrega esse semblante triste, você que só desperta as coisas nas pessoas que elas mais tentam esconder. Você é um ser detestável, docemente detestável,
Essas vozes, o que é que você pensa estar ouvindo?
Você vai passar pela vida dessas pessoas e no fim você esquecerá de todos eles,
mas por que você ainda não expurgou o que mais te machuca?
Quem foi que pediu para ele ficar por tanto tempo... E se ficou, por que não permaneceu?
Mas foi você que proporcionou a guerra interior dentro de todos que apareceram na sua vida,
nada mais permanece.
Por favor, não vá sem se despedir, ao menos diga adeus.
sexta-feira, 19 de setembro de 2008
outros os que estão distantes.
Tem quem se esquece de datas importantes,
e outros que relembram a todo instante.
Histórias de casais ninguém entende,
mas de amigos, tem quem aceite.
Ando ocupado,
mas fico feliz,
em saber de você.
Se já se faz um mês,
quase não percebo,
mas estive aqui,
quase sempre!
É como se estivéssemos soltos
envoltos nas leis da atração
e por um breve momento..
..perdemo-nos de vista
no lindo girar do horizonte.
Mas para onde buscar?
Se for para um dos lados,
tornarme-ei limitado.
Se viver pelos cantos,
serei envolto de prantos.
Ser esquecido é qualidade?
A pouco não terás de lembrar.
Faça-se novo cada dia,
um novo amigo, um novo lugar.
Mas quem sabe a noite traga,
um clarão que não se espera,
daqueles que nem na poesia se enxerga.
Que confunde a cada instante,
que angustia ao invés de apascentar.
O sentimento que eu sinto,
sentimento que não posso..
..pressupor pela distância.
Entre eu e você
existe o espaço entre
a terra e a lua.
Mas de onde te vejo,
desperta a vontade,
de tudo igualar.
Não pedimos mais tanta distinção,
não queremos o oposto a nossa união.
Não quero saber,
a quem tenho de me aproximar,
se a terra ou se a lua,
se ao reflexo dela ao mar.
Que me levasse ao descanço,
amaria um silêncio branco,
calmo, firme e certeiro,
sem nexo em errar.
As palavras são como enfeite,
as formas são só adornos.
A privação tem tanta realidade,
quanto a constante verdade.
Eu amo.
terça-feira, 12 de agosto de 2008
Aniversário
Eu era feliz e ninguém estava morto.
Na casa antiga, até eu fazer anos era uma tradição de há séculos,
E a alegria de todos, e a minha, estava certa com uma religião qualquer.
No TEMPO em que festejavam o dia dos meus anos,
Eu tinha a grande saúde de não perceber coisa nenhuma,
De ser inteligente para entre a família,
E de não ter as esperanças que os outros tinham por mim.
Quando vim a ter esperanças, já não sabia ter esperanças.
Quando vim a olhar para a vida, perdera o sentido da vida.
Sim, o que fui de suposto a mim-mesmo,
O que fui de coração e parentesco.
O que fui de serões de meia-província,
O que fui de amarem-me e eu ser menino,
O que fui — ai, meu Deus!, o que só hoje sei que fui...
A que distância!...
(Nem o acho...)
O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!
O que eu sou hoje é como a umidade no corredor do fim da casa,
Pondo grelado nas paredes...
O que eu sou hoje
(e a casa dos que me amaram treme através das minhaslágrimas),
O que eu sou hoje é terem vendido a casa,
É terem morrido todos,
É estar eu sobrevivente a mim-mesmo como um fósforo frio...
No tempo em que festejavam o dia dos meus anos...
Que meu amor, como uma pessoa, esse tempo!
Desejo físico da alma de se encontrar ali outra vez
Por uma viagem metafísica e carnal,
Com uma dualidade de eu para mim..
Comer o passado como pão de fome, sem tempo de manteiga nos dentes!
Vejo tudo outra vez com uma nitidez que me cega para o que há aqui...
A mesa posta com mais lugares, com melhores desenhos na loiça, com mais copos,
O aparador com muitas coisas — doces, frutas o resto na sombra debaixo do alçado —,
As tias velhas, os primos diferentes, e tudo era por minha causa,
No tempo em que festejavam o dia dos meus anos...
Pára, meu coração!Não penses!
Deixa o pensar na cabeça!
Ó meu Deus, meu Deus, meu Deus!
Hoje já não faço anos.
Duro.
Somam-se-me dias.
Serei velho quando o for.
Mais nada.
Raiva de não ter trazido o passado roubado na algibeira!...
O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!...
sábado, 9 de agosto de 2008
sexta-feira, 8 de agosto de 2008
sigo os padrões conservadores mesclados de um pós modernismo decadente.
Fugir? mas para onde? é só um pouco de falta de sorte, meu bem.
Um dia as coisas se acalmam, um dia aquele abraço terá braços, mesmo não sendo os dos seus obejtos de desejos.
Mas por favor, não se renda as evidencias,e nem a primeira impressão.
Qual outro "caminho" poderia seguir?
Os horizontes não estão mais tão vastos como já foram um dia.
Hoje só resta esse aperto no peito, e a certeza de um desejo incomedido, irremediável e irrealizável.
perdestes todos seus fieis interlocutores, agora é só você e este nó na garganta. Mas não chores, as coisas ou terão seu fim, ou irão se ajeitar,o pulsar do coração mostra que a vida está passando, e eu vou ficando, um dia agente morre e tudo se finda.....
espera-se.
ansiosamente.
com o coração partido.
segunda-feira, 28 de julho de 2008
quarta-feira, 11 de junho de 2008
(Zeca Baleiro)
Não adianta,
Não adianta nada ver a banda,
Tocando “A Banda” em frente da varanda,
Não adianta o mar,
E nem a sua dor.
Não adianta,
Não adianta o bonde,
a esperança,
E nem voltar um dia a ser criança,
O sonho acabou,
E o que adiantou?
Não tenho pressa,
Mas tenho um preço,
E todos tem um preço,
E tenho um canto,
Um velho endereço,
O resto é com vocês,
O resto não tem vez.
O que importa
É que já não me importa
o que importa,
É que ninguém bateu em minha porta,
É que ninguém morreu
,ninguém morreu por mim.
Não quero nada,
Não deixo nada,
que não tenho nada,
Só tenho o que me falta
e o que me basta,
No mais é ficar só,
Eu quero ficar só.
Não adianta,
Não adianta, que não adianta,
Não é preciso, que não é preciso,
Então pra que chorar?
Então pra que chorar?
Quem está no fogo,
está pra se queimar,
Então pra que chorar?
quarta-feira, 7 de maio de 2008
quinta-feira, 1 de maio de 2008
sábado, 26 de abril de 2008
sábado, 19 de abril de 2008
sexta-feira, 18 de abril de 2008
terça-feira, 8 de abril de 2008
Henry Chinaski (Charles Bukowski)
quarta-feira, 26 de março de 2008
quinta-feira, 20 de março de 2008
E eis que me pergunto:
Ele se demonstra tão atraente pela voz mácia que invade o campo auditivo, pelo cheio de maturidade que invade do campo olfativo, ou pelos olhos azuis-quase-cinza que emanam a seriedade mais incoerente já constatada, olhos esses que simbolizam o inverno ao serem focalizados juntamente com os cabelos cobertos de neve, ou seria aquela maneira peculiar de ver as horas no seu relógio de bolso, que dá a ele um ar ainda mais arcaico, como se tudo que ele levasse consigo fossem velharias raríssimas. Pode ser que haja alguma relação com as sutis demonstrações da ironia mais fina e doce já expressa, ou será simplesmente por que meu cerebro o vê como a materialização do outro que meus olhos não alcançam?
sábado, 15 de março de 2008
quarta-feira, 12 de março de 2008
quarta-feira, 5 de março de 2008
Os movimentos estudantis que surgem no seio da universidade encontram-se absurdamente descaracterizados e desprovidos de seriedade, se os representantes dos mesmos prezassem realmente com tanta convicção pela permanência e efetividade das conquistas políticas e sociais adquiridas em um longo processo histórico, ao supostamente reivindicarem pela efetivação da democracia provavelmente manteriam a civilidade e fariam o máximo para expor-se de modo minimamente formal.
Fazendo uma análise geral que quem são os estudantes que se vinculam a esses grupos, logo é perceptível o baixo nível intelectual, e para constatar essa característica nem sempre é necessário estar dentro da universidade.
Deparar-se com faixas e cartazes por todo campus de uma universidade propondo "Paralização das atividades acadêmicas" já é um fato que diz por si só.
quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008
Não seria por menos, segundo a definição da palavra, fica evidente que não se passa por tal situação ileso:
Rejeição: ato ou efeito de rejeitar; repulsa
Rejeitar: lançar fora; expelir; vomitar; repelir; recusar, negar; desaprovar; desprezar.
Para consolo dos mais sensíveis, a palavra rejeição não tem sido usada com muita frequência de forma brusca, devido a sugestão de hostilidade que o conceito tráz consigo, então dificilmente alguém irá dizer de forma explicita:
_ Você está sendo rejeitado!
Para isso foram inventados os eufemismo, para que você não seja "expelido", "vomitado", "repelido", "recusado" e todas as outras derivações da palavra, o máximo que irá ouvir será um:
_Você não é apto para (...)
_ Você não possui o perfil que estamos procurando.
Se é que isso serve realmente de consolo.
terça-feira, 26 de fevereiro de 2008
Tolerar, respeitar, ter noção consciente que as diferenças existem sem tentar catalogá-las como melhores ou piores é aceitável, mas isso não implica necessariamente que deva existir uma convivência com seres de "ideologias" incompatíveis, forçar convivência é nauseante.
sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008
Vamos, não chores.
A infância está perdida.
A mocidade está perdida.
Mas a vida não se perdeu.
O primeiro amor passou.
O segundo amor passou.
O terceiro amor passou.
Mas o coração continua.
Perdeste o melhor amigo.
Não tentaste qualquer viagem.
Não possuis carro, navio, terra.
Mas tens um cão.
Algumas palavras duras,
em voz mansa, te golpearam.
Nunca, nunca cicatrizam.
Mas, e o humor?
A injustiça não se resolve.
À sombra do mundo errado
murmuraste um protesto tímido.
Mas virão outros.
Tudo somado, devias
precipitar-te, de vez, nas águas.
Estás nu na areia, no vento...
Dorme, meu filho.
(Carlos Drummond de Andrade)
quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008
Poucas chances,
Poemas experimentais,
Filosofia existencial,
Novas velhíssimas canções,
Alguém que muito te gosta,
Mas que te causa repulsa,
Alguém que você gosta mas que diz:
Você é interessante,mas não estou interessado,
Ah! a eterna quadrilha de Drummond...
Sessão de cinema,
Vinho tinto,
Um disco novo daquela banda,
Eh! quem sabe as coisas melhorem...
Acho que Nietzsche tinha razão quando disse que Deus está morto.
terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

Alice Ruiz
Em caso de dor ponha gelo
Mude o corte de cabelo
Mude como modelo
Vá ao cinema dê um sorriso
Ainda que amarelo, esqueça seu cotovelo
Se amargo foi já ter sido
Troque já esse vestido
Troque o padrão do tecido
Saia do sério deixe os critérios
Siga todos os sentidos
Faça fazer sentido
A cada mil lágrimas sai um milagre
Caso de tristeza vire a mesa
Coma só a sobremesa coma somente a cereja
Jogue para cima faça cena
Cante as rimas de um poema
Sofra penas viva apenas
Sendo só fissura ou loucura
Quem sabe casando cura
Ninguém sabe o que procura
Faça uma novena reze um terço
Caia fora do contexto invente seu endereço
A cada mil lágrimas sai um milagre
Mas se apesar de banal
Chorar for inevitável
Sinta o gosto do sal do sal do sal
Sinta o gosto do sal
Gota a gota, uma a uma
Duas três dez cem mil lágrimas sinta o milagre
A cada mil lágrimas sai um milagre
sábado, 16 de fevereiro de 2008
Lembro daqueles dias de caos quando demonstrávamos ao mundo toda a nossa incoerência, e que por ser a idade das máximas manifestações de tolices, nem nós notávamos o quanto tudo aquilo não fazia o mínimo sentido, e nem os outros conseguiam perceber a falta de lógica, mas por ser aquela fase também a que dava inicio as percepções mais apuradas, tanto nós como eles tinham a certeza de que algo ali estava errado. Nós respondíamos a isso perpetuando aquela atitude insana, e eles a respeitavam como se fosse um ritual sagrado.
Foi um ano de tentativas arriscadas, queríamos sustentar um mundo inteiro em um tripé onde cada perna possuía uma altura diferente, e só quem já teve o desprazer de tentar se equilibrar em uma cadeira de três pernas, sabe o quanto o trabalho é árduo. Mas as circunstancias nos levaram a forçar essa união, e quando demos por si já não estava mais em tempo de ativar o campo de retração, o vinculo havia sido formado.
O ritual aos poucos foi se tornando sagrado. De segunda a sexta, lá estávamos nós, o que dava marco ao inicio do ritual era o tocar do sinal que anunciava o termino da aula, e o fato do nosso lugar ser estrategicamente localizado ao lado da porta nos garantia que saíssemos primeiro. Tinha-se algo que compartilhávamos ,o pânico do corredor no inicio e no final da aula. Os meninos do ultimo ano, na tentativa de firmar sua imagem de suposta superioridade, alinhavam-se encostados na parede, uma fila de ogros de cada lado, e quando os nerd’s, cdf ‘s e afins por ali passavam, eram feitos de bolas humanas, sendo literalmente arremessados de um lado para outro, com as meninas era diferente, aquele era o momento de cortejo, no momento em que as moças por ali passavam a animalidade era até amenizada. Mas conosco a atitude era outra, o espaço era aberto de modo que pudéssemos passar sem ser interrompidas, os mais ousados faziam sinais de educação com os olhos, mas mantendo sempre atitude de reverencia e respeito, fatos estes que indago o motivo até nos dias de hoje, mas estou quase certa de que era porque nossos atributos físicos não contribuíam.
Como havia dito, sempre éramos as primeiras a sair no termino das aulas, e eis que tinha inicio o ritual. Eu, a passos largos ia ao encontro de minha bicicleta, a moça dos cabelos roxos sempre tinha algum caso pendente com algum bípede do sexo oposto para resolver, a outra, a mais imponente entre nós, era quem garantia que o ambiente do nosso ritual fosse mantido desocupado. E em questão de minutos lá estávamos nós, a posição era sempre a mesma, eu e a moça imponente de um lado e a moça dos cabelos roxos do outro, e nossas pernas no meio do caminho impedindo a passagem de todos – ou quase todos -, aquela esquina havia se tornado o comitê dos nossos encontros e debates. Primeiro esperávamos todos saírem, havia certa glória em ver aquelas pessoas pelas quais nutríamos uma antipatia desmedida terem que desviar seus caminhos pela rua, e chegávamos a cogitar possibilidades de nos aproximarmos dos que ousavam pular nossas pernas, de fato nunca nos aproximamos – com exceção do caso Lasek Junior - , mas apesar de mantermos distancia, os ousados ganhavam nosso respeito, alguns até conseguiram fazer com que tirássemos as pernas no caminho para que pudessem passar, mas foram raros. O ultimo a passar era sempre o admirável professor de química, eu e a moça imponente o víamos como modelo de homem ideal - apesar da química -, a moça dos cabelos roxos naquela época já se livrava dos últimos parâmetros de seletividade que lhe restava, e nesse caso, o via como ideal pelo simples fato de ser homem.
Quando percebíamos que nada mais iria interromper iniciávamos a conversa, cada assunto era discutido em seus pormenores, nunca saímos de lá sem antes tomar inúmeras decisões, que a cada dia se alteravam substancialmente, íamos de suicídio a casamento - que dá quase na mesma – de futilidades a situação monetária do país, discussões filosóficas quase sempre fomentadas por aquela professora principiante que só eu e a moça imponente ouvíamos, nos torturávamos a cada dia que passava com a tão difícil escolha do curso para o vestibular, e tantas outras irrelevâncias.
Como era de se esperar, o desequilíbrio só poderia resultar
sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008
Preferia não pensar tanto assim em você, mas meu lado humano-fraco-e-imerso-no-sentimentalismo-barato impede que a racionalidade atue nesse setor. O afeto que há em mim, que só se manifesta em/para ocasiões/pessoas especiais, costuma ser muito atencioso com o meu estado psicológico, predominantemente perturbado; quando ele nota o quão feliz me faz uma existência tão humana e complexa, de imediato ele ocupa as vias centrais dos meus pensamentos e busca espaço para a expansão desse sentimento benévolo. E o sentimento brando e carinhoso por ti insistentemente cresce a cada dia.
quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008
terça-feira, 12 de fevereiro de 2008
segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008
sábado, 9 de fevereiro de 2008
A preocupação em relação a escassez dos recursos naturais tem feito surgir ditos preparados pelos meios de comunicação para disfarçar as verdadeiras causas e culpados da degradação ambiental, por pouco não se é levado a crer em coisas do tipo : 'Somos todos responsáveis', 'Só depende de nós salvar e preservar a natureza'.
Ora, deixemos de ingenuidade, estratégia antiga essa de deixar sujeitos indefinidos em frases, quem são esses 'todos' e esses 'nós' de quem depende os seres viventes?
A humanidade inteira paga as consequências da ruína da terra, da intoxicação do ar, do envenenamento da agua, dos distúrbios do clima. Mas as estatísticas confessam e os números não mentem: os dados, ocultos sob a maquiagem das palavras, revelam que 25% da humanidade é responsável por 75% dos crimes contra a natureza.
Fazendo uma comparação entre as médias do norte e do sul, cada habitante do norte consome dez vezes mais energia, dezenove vezes mais alumínio, quatorze vezes mais papel e treze vezes mais ferro e aço. Cada norte-americano lança em média no ar, vinte e duas vezes mais carbono do que um hindu e treze vezes mais do que um brasileiro.
As empresas que mais devastam o planeta, são as que mais dinheiro ganham, e também são as que mais gastam em publicidade, que milagrosamente transforma a contaminação em filantropia.
Fiquem a vontade com suas atuações, o monopólio já está conquistado, a população já se tornou povo, a humanidade já está massificada, mas poupem os ouvidos daqueles que são ao menos um pouco esclarecidos de tanta hipocrisia, definam os sujeitos, por favor.
quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008
segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008
Sairia em busca de remédios para o tédio, talvez chegasse a me render aos ópios habituais, poderia ingerir doses daquelas formulas mágicas que derrubam os muros do bom senso, ou então tragar aquilo que caracteriza um jovem do século XXI, me juntar aos modernos em seu ‘intercambio cultural’ orgiástico, deliciando-me com tantas presenças pornográficas fabricadas por encomenda. Eu gritaria meus ódios aos ouvidos presentes, cairia no riso junto com eles, participaria ativamente dos diálogos verborrágicos , zombaria de deus, clamaria por deus, cuspiria nos pés dos ateus que ali se encontrassem, carimbaria seus passaportes para o inferno, daria minhas gargalhadas reprimidas na face dos cristãos hipócritas, esfregaria em suas faces a verdade da impureza universal, faria deles motivo das mais cômicas chacotas.
Depois correria até o altar acenderia duas velas, uma para deus e outra para nietzche e voltaria em meios aos mortais, tão pura quanto antes.
Mas a situação ainda não pede medidas drásticas, apesar de a noite estar quente demais, da mediocridade estar presente, do tédio não dar trégua, do fracasso bater a porta, e da solidão estar aqui sentada ao lado com eu sorriso cínico e com aquele ar de superioridade que só é permissível aos vencedores, vendo as letras aparecer na tela vagarosamente devido à presença da delicada preguiça que se encontra deitada na cama ao lado.
Céus, eu deveria rezar, se restasse fé, ou então eu poderia agir em uma espécie de reflexo condicionado místico e ao menos acender uma vela, mesmo sem fé nenhuma. Ou então eu poderia acender apenas um cigarro, ficar nas drogas licitas, colocar uma musica qualquer cheia de melancolia, e bancar o artista americano em mais uma cena deplorável que algum crítico bem pago e mal intencionado chamaria de arte; mas só um completo idiota ou alguém totalmente perdido sentiria qualquer espécie de animação em tal atitude, e acho que ainda não me transformei em uma completa idiota.
Mas também não poderia ficar esperando o ‘deus acaso’ virar as paginas do seu roteiro chatíssimo e me mostrar a nova cena onde eu provavelmente ainda estaria chafurdada no pântano da depressão.
Vamos à vida, menina, mas sem exageros, doses homeopáticas de decadência diária mantêm o homem vivo.
domingo, 3 de fevereiro de 2008
Por um segundo,e numa piscadela pude experimentar uma eternidade de conforto.
Certas almas são tão espantosamente ligadas por um estranho magnetismo que o normal da natureza seria mantê-las fisicamente distantes, mas eis que inexplicavelmente ele aparecera em minha frente.
E eu não consegui fazer nada mais do que abaixar os olhos - e passar o resto da noite tentando descobrir o que ele teria visto em mim.
sábado, 2 de fevereiro de 2008
sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008
Não foi culpa do inverno, que chegou mais cedo do que o previsto, nem do tédio habitual que se vincula com a insônia para atormentar os dias e transformar as noites em momentos caóticos, o fato de todos os dias estarem impregnados com o cheiro de terça feira, de a redoma ter se partido em pedaços suficientes para impossibilitar a reconstrução, também foi mero detalhe.
A culpa foi do ceticismo que tirou férias.
quinta-feira, 31 de janeiro de 2008
(...)
É um amor desinteressado: Tereza não pretende nada de Karenin. Nem mesmo amor ela exige. Nunca precisou fazer perguntas que atormentam os casais humanos: será que ele me ama? será que gosta mais de mim do que eu dele? terá gostado de alguém mais do que de mim?
(...)
Mas sobretudo: nenhum ser humano pode oferecer a outro o idílio. Só o animal pode, porque não foi banido do Paraíso. O amor entre o homem e um cão é idílico. É um amor sem conflitos, sem cenas dramáticas, sem evolução."
terça-feira, 29 de janeiro de 2008
As pessoas costumam ter suas atitudes agrupadas em duas categorias quando se trata da dor alheia. Temos aqueles que se assemelham a ‘livros de auto-ajuda ambulantes’, na primeira oportunidade que surge abrem seus sorrisos patéticos e miseravelmente felizes, com uma incurável visão seletiva dos fatos, e em questão de segundos deixamos de avistar a face do ser em questão, e nos deparamos com um Augusto Cury frustrado que na impossibilidade de escrever um livro cheio de atrocidades do tipo: ‘dez dicas para se feliz’, ‘você é insubstituível’, usa sua diarréia verbal para importunar um pobre ser possuidor de problemas corriqueiros e questões existenciais eternas, fazendo com que aquilo que não passava do resultado da condição humana imersa em acontecimentos decepcionantes, se torne motivo para o mais torturante suicídio, ou um violento homicídio, não mais pelo problema em si ou pela dor, mas sim pela ira que tal projeto mal desenvolvido de ser humano pensante nos causa.
Temos também aqueles que quando cruzam o caminho dos que admiram a categoria acima, são chamados com freqüência de chatos e incompreensíveis, eles se limitam a ouvir, só opinam quando existe alguma objetividade no que vão dizer, não tomam postura em relação ao problema alheio, nada de bancar o jesus cristo detentor da salvação, ou personificar o caminho a verdade e a vida, o máximo que fazem é ficar por perto, ou dispor de um abraço para derreter as camadas de orgulho, de raiva e de impaciência, tocando o coração do outro com a peculiaridade das coisas feitas para suavizar a crueza do mundo. Mas poucas vezes são compreendidos, principalmente quando se deparam com aqueles que limitaram a função dos sentidos apenas a ouvir e falar, e não entendem a sutileza e a complexidade dos sinais e do conforto dado pelos outros mesmo por um silencio ensurdecedor.
domingo, 27 de janeiro de 2008
Ela temia que a realidade continuasse sendo seus anseios ao avesso, se assustava com a possibilidade das palavras serem eternamente proferidas como ruído obrigatório, queria ouvir apenas aquilo que não fosse mera transgressão do silêncio, ansiava enfim encontrar aqueles que não se preocupavam em calar, e que diziam apenas o indispensável, queria as palavras sentidas, os diálogos secretos entre as mãos, a comunicação discreta entre os perfumes, ela só podia sentir o coração dos que não se escondiam atrás das palavras, queria um amor calmo, que desse tempo para que todos os sentidos usufruíssem do mesmo, e com a mesma intensidade. (cansou de confundir taquicardia com amor).
sábado, 26 de janeiro de 2008
Ela e ele no mesmo sofá. Um em cada extremidade, como se reconhecessem o lugar que a enorme barreira de distância deveria ocupar bem no meio deles. Ela pouco dirige a palavra a ele e a recíproca é verdadeira. Nem parece que antes se apertavam contra o corpo do outro, como se quisessem ocupar o mesmo pequeno espaço na cama, como se quisessem misturar o calor e ter a certeza que as essências estavam entrelaçadas até durante o sono. Notaram-se como estranhos, ela não poderia acreditar que ele estava lendo aqueles livros, e ele se sentiu envergonhado por ter dividido a mesma cama com uma mulher que agora tinha que pagar para alguém lhe dizer o que fazer. Sim, mas agora se tornaram desconhecidos, é fato. Tão distantes... Ela não suportou, mudou de sofá e tratou de procurar outras coisas pra se entreter, escondendo as mãos suadas. Incrivelmente portando-se com uma naturalidade mais cínica impossível. E provavelmente muito bem notada por ele, que ainda devia conhecer muito de seus artifícios e reações nervosas. Depois de um tempo, ele se levantou para ir embora e ela resolveu lhe lançar um olhar consideravelmente firme, na porta do apartamento enquanto o elevador não chegava, expressando um misto esquisito de sentimentos como se quisesse dizer "viu como eu estou bem sem você?" e "a saudade agora apertou como um sapato de número menor no calcanhar".
sexta-feira, 25 de janeiro de 2008
Deixe que essa noite eu cuido de você, puxe as cobertas que a noite está fria, deixe essa tristeza e chegue perto de mim. Deixa eu te embalar no sono, tirar seus medos, to aqui do seu lado, vem dormir, encosta sua cabeça em meus ombros, deixe-se dormir.
A noite vem, e vem escura, o vento já bate forte balançando as janelas, mas durma tranqüilo, estou aqui do seu lado.
Tirei a noite pra cuidar de ti, velarei teu sono, e se do teu sonho fizer parte, que seja dos mais belos passeios no parque de mãos dadas, ao raiar do sol, bem de manhãzinha, sentindo ainda o cheiro do orvalho por sobre as plantas.
Deixa-me ficar aqui, só te olhando, não farei barulho, prometo não te acordar, apenas ficar aqui te admirando.
Isso, assim mesmo, durma bem, enquanto fico aqui do seu lado, sem nada dizer, apenas imaginando o que poderia viver ao seu lado.
Dorme tranqüilo, estou aqui, te afagando com os olhos.
quarta-feira, 23 de janeiro de 2008
terça-feira, 22 de janeiro de 2008
Por alguns segundos ela chegou a pensar que aquilo fosse excesso sensibilidade e escassez de compreensão, julgou-se injusta, pensou nunca poder se perdoar, de fato ela realmente havia sido dura demais com as palavras, mas foi a única saída que ela encontrou para tapear o seu ego, afinal, ele estava a deixando, ela se sentia no direito de vencer ao menos esse ultimo jogo de palavras, apesar de saber que diferente das outras circunstancias, o vencedor não poderia olhar para seu oponente com um olhar cheio de afeto e apertá-lo em seus braços, agora era definitivo, teriam que traçar caminhos opostos, mesmo sabendo que poderiam usar o mesmo percurso para sempre, compartilhavam das mesmas preferências em tudo, era justamente essa afinidade absurda que havia os unido. Mas ele decidiu partir. Ela compreendia o fim, sempre soube que os sentimentos eram findos, efêmeros, transitório, nunca esperou que ele lhe fizesse juras eternas, e nunca cometeu a atrocidade de fazer o mesmo, julgava-se racional demais, tanto que cometeu o erro de aplicar isso aos seus sentimentos a ponto de tornar-se fria, pensava que isso daria aos seus relacionamentos alicerces seguros, tudo parecia estável e dentro dos seus planos, fazia do amor um negocio, regras, investimentos, lucros, juros, tudo era pré-estabelecido com antecedência, o caminho até seu coração era mapeado, placas explicativas poupava todo o trabalho daqueles que ela permitia transcorrer por ele. Mas ainda assim, algo havia fugido do seu controle, ele avisara que partiria essa noite, mas como ela mesma disse aos gritos diversas vezes, o problema não era ele estar indo embora, nem ao menos o vazio que ela teria que enfrentar, ou o martírio que o medo da solidão lhe traria, ela só queria um motivo. As últimas palavras daquele homem que ela tanto amava foram responsáveis por uma angustia que ela levaria mais do que alguns dias, alguns livros, alguns filmes e vinhos para esquecer. O ópio habitual não seria suficiente. Ela esperava que os finais seguissem sempre o mesmo roteiro : duas ou três frases frias ou sarcásticas, reclamações explicativas em forma de pretexto, e o adeus. Mas ele não permitiu que ela ditasse as regras até o fim, segurou-a contra a parede, calou-a com seu ultimo beijo, deslizou seus dedos pelos cabelos dela delicadamente pela ultima vez, passou suas mãos pelo rosto dela, que nesse momento já estava umedecido por duas ou três lágrimas, e por alguns instantes se reportou ao primeiro encontro que tiveram, e notou que a pele ainda possuía a mesma suavidade, observou-a ... notou que estava mais bela do que nunca. Ela só lhe pediu um motivo, não que esperasse que ele não fosse, esse era um dos tantos motivos que fazia ela o amar tanto, ele não tomava decisões irrefletidas. E sem nenhuma crueldade ou ironias, ele listou as qualidades dela de forma impecável, suas palavras exprimiam a mesma doçura de sempre, dizia não haver motivos, simplesmente sentiu que aquele era o momento de partir. Por que ele estava partindo? Era tudo o que se podia escutar entre o choro e os soluços ... Ele havia profanado o ritual de partida.
domingo, 20 de janeiro de 2008
O ambiente estava favorável para que ela se sentisse segura, a música adentrava seus ouvidos meigamente de forma quase imperceptível, o som havia sido minuciosamente preparado para confortá-la de deixá-la leve, o espaço fora escolhido de maneira que a manteria estrategicamente afastada de qualquer interrupção brusca, ele já sabia o quão frágil e vulnerável a sustos ela havia se tornado, nada indesejado ocuparia seu campo visual – como ela mesma costumava dizer – ela não escondeu seu riso ao perceber que aquelas cores só se faziam presentes porque a deixaria feliz, no fundo ela sabia que ele se sentiria muito mais seguro se as rosas fossem vermelhas – ele não compreendia como ela podia preferir as brancas. Na sua busca por informações, descobriu o quanto ela gostava de espelhos, e lá estavam eles por todos os lados, ela dizia que não era narcisismo, mas fazia o ambiente se tornar familiar, caso se sentisse angustiada poderia avistar sua própria imagem – ela sempre ria de si e analisava suas expressões faciais depois que algo inesperado que lhe causava emoções incontroláveis ao seu tão precioso bom senso acontecia . Em cada passo que ela dava percebia como ele havia assimilado bem suas palavras – e como suas mãos lhe foram gratas quando sentiram a maciez das inúmeras almofadas que ele colocara no sofá ,organizadas por cores e tamanho – ela sempre temia em pensar o que fazer com as mãos, tinha medo de que elas falassem algo inadequado, algumas leituras a respeito de linguagem corporal a deixou ainda mais cheia de paranóias. Ele deixou que ela decidisse a distancia entre eles, não conseguia compreender porque estava agindo daquela forma, depois de sentir o calor de tantos corpos e tê-los sob seu controle, tudo o que ele desejava agora é que ela escolhesse estar entre seus braços. Ela, com sua insegurança, bem provável que proveniente de sua imaturidade, se manteve um pouco distante, teve medo que ele percebesse que sua respiração ainda estava ofegante, ele por sua vez não deixou de notar, apesar de ter cogitado a possibilidade de ser efeito da subida das escadas, tinha medo da responsabilidade que sentiria se admitisse o quanto a desconcertava. A doçura com que ele a olhava a deixou incompreensivelmente segura, tomou para si as mãos dele, ele sorriu ao perceber o quanto um simples gesto havia exigido dela. Ficaram sem pronunciar uma palavra, nem um dos dois teve a audácia de correr o risco de estragar tudo com palavras, tudo era novo demais para ser dito.
Mantiveram as mãos e os olhos unidos, e apesar da incredulidade que compartilhavam, rezaram para que aquela noite fosse eterna. Ela não conseguiu resistir, os sentimentos estavam transbordando de tal forma que seria injusto demais não usar todas as maneiras que detinha para expressá-lo. Docemente pediu:
- Permite que eu viva nesses olhos?
sábado, 19 de janeiro de 2008
Talvez o pecado dela tenha sido perder o interesse...
Ela que sempre havia sido tão aplicada na arte de conhecer e deliciar-se com as descobertas que o mundo lhe proporcionava, em um súbito instante, descobre que nada poderia ser mais aconchegante e lhe dedicar mais afeto, do que os seus travesseiros e seus lençóis sem estampa, dentro de si havia um conforto seguro, um amor sem duvida, que não necessitava que constantes conquistas, ela não teria mais que se confundir com cheiros e gostos, poderia se tornar neutra assim como as cores - tão criticadas - que ela sempre preferiu, mas abdicou em prol de outras sensações (e como ela se sentia livre e limpa na presença delas), foi como se essas cores tão sem graça e sem emoção – assim como ela – criassem vida, e lhe desse um abraço forte jurando que sempre a protegeria.
...o único esforço que ela teria que fazer era continuar sendo...
quinta-feira, 17 de janeiro de 2008
segunda-feira, 14 de janeiro de 2008
quarta-feira, 9 de janeiro de 2008
segunda-feira, 7 de janeiro de 2008
Baudelaire, Paraísos artificiais.
quinta-feira, 27 de dezembro de 2007
segunda-feira, 24 de dezembro de 2007
quinta-feira, 20 de dezembro de 2007
Adeus
sua respiração ofegante, envergonhada, demonstrava que algo havia de se partir
as mãos transpiravam como nunca,
nos lábios sentia-se uma suavidade indescritível
a doçura das palavras que causaram tanta angustia,
fez com que eu sentisse a dor de ser ferida com uma rosa
os olhos viam que a dor havia se eternizado
terça-feira, 18 de dezembro de 2007
domingo, 16 de dezembro de 2007
quarta-feira, 12 de dezembro de 2007
sexta-feira, 16 de novembro de 2007
- É saudade então.
E mais uma vez
De você fiz o desenho mais perfeito que se fez:
Os traços copiei do que não aconteceu.
As cores que escolhi, entre as tintas que inventei,
Misturei com a promessa que nós dois nunca fizemos
De um dia sermos três.
Trabalhei você em luz e sombra
Era sempre:
- Não foi por mal. Eu juro que nunca
Quis deixar você tão triste.
Sempre as mesmas desculpas
E desculpas nem sempre são sinceras -
Quase nunca são
Preparei a minha tela
Com pedaços de lençóis
Que não chegamos a sujar.
A armação fiz com madeira
Da janela do seu quarto.
Do portão da sua casa
Fiz paleta e cavalete
E com as lágrimas que não brincaram com você
Destilei óleo de linhaça
E da sua cama arranquei pedaços
Que talhei em estiletes
De tamanhos diferentes
E fiz então
Pincéis com seus cabelos.
Fiz carvão do batom que roubei de você
E com ele marquei dois pontos de fuga
E rabisquei meu horizonte.
Era sempre:
- Não foi por mal. Eu juro que não foi por mal.
Eu não queria machucar você: prometo que isso nunca vai
Acontecer mais uma vez.
E era sempre, sempre o mesmo novamente -
A mesma traição.
Às vezes é difícil esquecer:
- Sinto muito, ela não mora mais aqui.
Mas então porque eu finjo que acredito no que invento ?
Nada disso aconteceu assim - não foi desse jeito.
Ninguém sofreu: é só você que provoca essa saudade vazia
Tentando pintar essas flores com o nome
De "amor-perfeito" e "não-te-esqueças-de-mim".















