sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Hoje percebo o quanto me faz falta, vejo a realidade na fala dos decadentes, sinto-me em estado mais decadente que o deles, vejo a razão em suas falas, e a falta de lógica na minha incoerencia. Como aquilo me pareceu agradável, como aquele me pareceu detestável, e como eu, aqui, bem mal localizada, desejei aquele que não deseja nem a si mesmo, e ao mesmo tempo quer a todas possuir, da maneira mais baixa e vulgar que se poderia pensar, "então essa é sua concepção de vulgar?" "deixe de falso moralismo minha cara" , "Eu? moralista?"
sigo os padrões conservadores mesclados de um pós modernismo decadente.
Fugir? mas para onde? é só um pouco de falta de sorte, meu bem.
Um dia as coisas se acalmam, um dia aquele abraço terá braços, mesmo não sendo os dos seus obejtos de desejos.
Mas por favor, não se renda as evidencias,e nem a primeira impressão.
Qual outro "caminho" poderia seguir?
Os horizontes não estão mais tão vastos como já foram um dia.
Hoje só resta esse aperto no peito, e a certeza de um desejo incomedido, irremediável e irrealizável.
perdestes todos seus fieis interlocutores, agora é só você e este nó na garganta. Mas não chores, as coisas ou terão seu fim, ou irão se ajeitar,o pulsar do coração mostra que a vida está passando, e eu vou ficando, um dia agente morre e tudo se finda.....
espera-se.
ansiosamente.
com o coração partido.
é passado o tempo de engolir os "nós" da garganta...

quarta-feira, 11 de junho de 2008

Não adianta
(Zeca Baleiro)

Não adianta,
Não adianta nada ver a banda,
Tocando “A Banda” em frente da varanda,
Não adianta o mar,
E nem a sua dor.
Não adianta,
Não adianta o bonde,
a esperança,
E nem voltar um dia a ser criança,
O sonho acabou,
E o que adiantou?
Não tenho pressa,
Mas tenho um preço,
E todos tem um preço,
E tenho um canto,
Um velho endereço,
O resto é com vocês,
O resto não tem vez.
O que importa
É que já não me importa
o que importa,
É que ninguém bateu em minha porta,
É que ninguém morreu
,ninguém morreu por mim.
Não quero nada,
Não deixo nada,
que não tenho nada,
Só tenho o que me falta
e o que me basta,
No mais é ficar só,
Eu quero ficar só.
Não adianta,
Não adianta, que não adianta,
Não é preciso, que não é preciso,
Então pra que chorar?
Então pra que chorar?
Quem está no fogo,
está pra se queimar,
Então pra que chorar?

quarta-feira, 7 de maio de 2008

-Dane-se. Comigo sempre foi tudo ao contrário.

-Tudo bem, descansa. Faz parte não conseguir.

quinta-feira, 1 de maio de 2008

Não adianta usar de todos os seus artifícios bem elaborados, de suas estratégias cretinas e convincentes, de seus bons argumentos contribuintes para a intensificação da minha misantropia. Tudo bem que estou sendo sufocada por este cotidiano medíocre que exala um cheiro horrendo comunicando a chegada triunfal do tédio, e que tenho me tornado assustadoramente decepcionante e extremamente sem graça, que os escapes habituais estão sendo drogas de pouco efeito considerando meu estado deplorável, que tenho levado muito a sério a pretensão inconsciente de manter toda e qualquer derivação da espécie humana afastada, e que meus sentidos entendam tudo como desnecessário e desinteressante. Não, Apática Existência, ainda não chegou a hora, eu não vou surtar.

segunda-feira, 28 de abril de 2008


e de repende já não era mais possível fingir nem fugir nem pedir perdão ou tentar voltar...

sábado, 26 de abril de 2008

E como escreveu Charles Baudelaire: "É hora de embriagar-se! Para não serem os escravos martirizados do Tempo, embriaguem-se; embriaguem-se sem descanso". Com vinho, poesia ou virtude, a escolher.
Via seu espaço : aquele silêncio fazendo cama para solidão; a certeza da segurança que vai além de chaves e fechaduras; a desesperança de qualquer visita ou mágoa sem aviso prévio. Assim era a menina: excessivamente só. Insistia na solidão, afinal, era muito mais tranquila a sobrevivência longe do convívio com as pessoas do mundo. Evitava a intimidade. Encontrava em curtas saudações uma maneira fácil e prática de lidar com as situações cotidianas. Por isso, esforçava-se ao esboçar expressões como: "Boa Tarde", "Como Vai?" e "Até logo". E era só. Nos momentos de crise, sentia-se melhor ao constatar que poderia, a qualquer momento, optar pelo abandono de si mesma. Fazia-se livre para se reinventar como melhor lhe conviesse. Escolhera viver só. Achava mesmo que estaria melhor consigo própria do que com alguém que estivesse ali somente para ocupar um lugar no espaço.
''Não se preocupe, não vou tomar nenhuma medida drástica, a não ser continuar, tem coisa mais auto destrutiva do que insistir sem fé nenhuma? Ah, passa devagar a tua mão na minha cabeça, toca meu coração com teus dedos frios, eu tive tanto amor um dia.''
C.F.A.

sábado, 19 de abril de 2008

Há sempre um momento exato em que matamos as pessoas dentro de nós, a questão é que quase sempre passamos despercebidos por esses momentos, então atribuimos o esquecimento ou a desimportância de algo ou alguém há todo um processo mental gradativo.
"(...)Nas bochecahas a caimbra de uma alegria incompleta
Nada como um sorriso burro e paranóico
Para não perceber a velocidade terrível da queda(...)"

sexta-feira, 18 de abril de 2008







Um dia desses,
eu separo um tempinhoe ponho em dia todos os choros
que não tenho tido tempo de chorar.
Carlos Drummond Andrade





sexta-feira, 11 de abril de 2008

Vive-se bem na mediocridade da vida irrefletida.

terça-feira, 8 de abril de 2008

"Caí em meu patético período de desligamento. Muitas vezes diante de seres humanos bons e maus igualmente, meus sentidos simplesmente se desligam, se cansam, eu desisto. Sou educado. Balanço a cabeça. Finjo entender porque não quero magoar ninguém. Este é o único ponto fraco que tem me levado à maioria das encrencas. Tentando ser bom com os outros, muitas vezes tenho a alma reduzida a uma espécie de pasta espiritual."

Henry Chinaski (Charles Bukowski)

quarta-feira, 26 de março de 2008

Não nego que vínculos proporcionam uma sensação confortante de segurança, mas nada se compara com o agradável sentimento de poder ser triste sem ter que dar grandes explicações, e só os solitários possuem esse privilégio.

quinta-feira, 20 de março de 2008

Dúvidas valem por si só. A maioria delas não surgem em busca de respostas, e as respostas costumam as deixar bem pouco interessantes.
E eis que me pergunto:
Ele se demonstra tão atraente pela voz mácia que invade o campo auditivo, pelo cheio de maturidade que invade do campo olfativo, ou pelos olhos azuis-quase-cinza que emanam a seriedade mais incoerente já constatada, olhos esses que simbolizam o inverno ao serem focalizados juntamente com os cabelos cobertos de neve, ou seria aquela maneira peculiar de ver as horas no seu relógio de bolso, que dá a ele um ar ainda mais arcaico, como se tudo que ele levasse consigo fossem velharias raríssimas. Pode ser que haja alguma relação com as sutis demonstrações da ironia mais fina e doce já expressa, ou será simplesmente por que meu cerebro o vê como a materialização do outro que meus olhos não alcançam?

sábado, 15 de março de 2008

"Não são os inimigos, mas sim os amigos que condenam o homem á solidão."
Milan Kundera

quarta-feira, 12 de março de 2008

O príncipe encantado convencional que me desculpe, mas quando um homem trata de sua liberdade, referindo-se a ela como o direito de ler o que tiver interesse, eis onde encontro meu ideal masculino.

quarta-feira, 5 de março de 2008

Ser levado a sério não é uma das tarefas mais simples, principalmente considerando a volubilidade das relações sociais que são travadas diariamente. A conquista da credibilidade é uma tarefa que exige muito além de boas intenções, usando de uma das máximas aceitáveis usada pelo marxismo, em uma época onde o homem tornou-se uma mercadoria, e que o marketing pessoal encontra-se tão em alta que abriu espaço para um mercado de profissionais especializados em ditar o "dever ser", expor-se ao público de forma impensada, quando o intuito é mobilizar as pessoas ao redor que desconhecem suas causas, é um crime gravíssimo.
Os movimentos estudantis que surgem no seio da universidade encontram-se absurdamente descaracterizados e desprovidos de seriedade, se os representantes dos mesmos prezassem realmente com tanta convicção pela permanência e efetividade das conquistas políticas e sociais adquiridas em um longo processo histórico, ao supostamente reivindicarem pela efetivação da democracia provavelmente manteriam a civilidade e fariam o máximo para expor-se de modo minimamente formal.
Fazendo uma análise geral que quem são os estudantes que se vinculam a esses grupos, logo é perceptível o baixo nível intelectual, e para constatar essa característica nem sempre é necessário estar dentro da universidade.
Deparar-se com faixas e cartazes por todo campus de uma universidade propondo "Paralização das atividades acadêmicas" já é um fato que diz por si só.

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

Alguns sentimentos são tão torturantes que seus danos são aparentes antes mesmo de serem provocados por fatos concretos. É o que acontece com a rejeição, antes que qualquer ato possa indicá-la, apenas a possibilidade de que ela ocorra, já é tão traumático quanto o fato em si.
Não seria por menos, segundo a definição da palavra, fica evidente que não se passa por tal situação ileso:
Rejeição: ato ou efeito de rejeitar; repulsa
Rejeitar: lançar fora; expelir; vomitar; repelir; recusar, negar; desaprovar; desprezar.
Para consolo dos mais sensíveis, a palavra rejeição não tem sido usada com muita frequência de forma brusca, devido a sugestão de hostilidade que o conceito tráz consigo, então dificilmente alguém irá dizer de forma explicita:

_ Você está sendo rejeitado!

Para isso foram inventados os eufemismo, para que você não seja "expelido", "vomitado", "repelido", "recusado" e todas as outras derivações da palavra, o máximo que irá ouvir será um:

_Você não é apto para (...)

_ Você não possui o perfil que estamos procurando.


Se é que isso serve realmente de consolo.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

A condição primordial para uma boa convivência em grupo é a tolerância. Sabe-se bem que cada indivíduo é formado por particularidades que não dependem unicamente da escolha do mesmo, são influências externas que atuam significantemente sobre cada um. Traços culturais, sociais, econômicos, tem ação coercitiva sobre cada um de nós, nossa capacidade de filtrar as informações que recebemos possui um certo limite que nem sempre é perceptível.
Tolerar, respeitar, ter noção consciente que as diferenças existem sem tentar catalogá-las como melhores ou piores é aceitável, mas isso não implica necessariamente que deva existir uma convivência com seres de "ideologias" incompatíveis, forçar convivência é nauseante.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008



Vamos, não chores.
A infância está perdida.
A mocidade está perdida.
Mas a vida não se perdeu.
O primeiro amor passou.
O segundo amor passou.
O terceiro amor passou.
Mas o coração continua.
Perdeste o melhor amigo.
Não tentaste qualquer viagem.
Não possuis carro, navio, terra.
Mas tens um cão.
Algumas palavras duras,
em voz mansa, te golpearam.
Nunca, nunca cicatrizam.
Mas, e o humor?
A injustiça não se resolve.
À sombra do mundo errado
murmuraste um protesto tímido.
Mas virão outros.
Tudo somado, devias
precipitar-te, de vez, nas águas.
Estás nu na areia, no vento...
Dorme, meu filho.


(Carlos Drummond de Andrade)

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

Poucas chances,
Poemas experimentais,
Filosofia existencial,
Novas velhíssimas canções,
Alguém que muito te gosta,
Mas que te causa repulsa,
Alguém que você gosta mas que diz:
Você é interessante,mas não estou interessado,
Ah! a eterna quadrilha de Drummond...
Sessão de cinema,
Vinho tinto,
Um disco novo daquela banda,
Eh! quem sabe as coisas melhorem...
Acho que Nietzsche tinha razão quando disse que Deus está morto.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008


Milágrimas
Alice Ruiz

Em caso de dor ponha gelo
Mude o corte de cabelo
Mude como modelo
Vá ao cinema dê um sorriso
Ainda que amarelo, esqueça seu cotovelo
Se amargo foi já ter sido
Troque já esse vestido
Troque o padrão do tecido
Saia do sério deixe os critérios
Siga todos os sentidos
Faça fazer sentido
A cada mil lágrimas sai um milagre

Caso de tristeza vire a mesa
Coma só a sobremesa coma somente a cereja
Jogue para cima faça cena
Cante as rimas de um poema
Sofra penas viva apenas
Sendo só fissura ou loucura
Quem sabe casando cura
Ninguém sabe o que procura
Faça uma novena reze um terço
Caia fora do contexto invente seu endereço
A cada mil lágrimas sai um milagre

Mas se apesar de banal
Chorar for inevitável
Sinta o gosto do sal do sal do sal
Sinta o gosto do sal
Gota a gota, uma a uma
Duas três dez cem mil lágrimas sinta o milagre
A cada mil lágrimas sai um milagre

sábado, 16 de fevereiro de 2008

Lembro daqueles dias de caos quando demonstrávamos ao mundo toda a nossa incoerência, e que por ser a idade das máximas manifestações de tolices, nem nós notávamos o quanto tudo aquilo não fazia o mínimo sentido, e nem os outros conseguiam perceber a falta de lógica, mas por ser aquela fase também a que dava inicio as percepções mais apuradas, tanto nós como eles tinham a certeza de que algo ali estava errado. Nós respondíamos a isso perpetuando aquela atitude insana, e eles a respeitavam como se fosse um ritual sagrado.
Foi um ano de tentativas arriscadas, queríamos sustentar um mundo inteiro em um tripé onde cada perna possuía uma altura diferente, e só quem já teve o desprazer de tentar se equilibrar em uma cadeira de três pernas, sabe o quanto o trabalho é árduo. Mas as circunstancias nos levaram a forçar essa união, e quando demos por si já não estava mais em tempo de ativar o campo de retração, o vinculo havia sido formado.
O ritual aos poucos foi se tornando sagrado. De segunda a sexta, lá estávamos nós, o que dava marco ao inicio do ritual era o tocar do sinal que anunciava o termino da aula, e o fato do nosso lugar ser estrategicamente localizado ao lado da porta nos garantia que saíssemos primeiro. Tinha-se algo que compartilhávamos ,o pânico do corredor no inicio e no final da aula. Os meninos do ultimo ano, na tentativa de firmar sua imagem de suposta superioridade, alinhavam-se encostados na parede, uma fila de ogros de cada lado, e quando os nerd’s, cdf ‘s e afins por ali passavam, eram feitos de bolas humanas, sendo literalmente arremessados de um lado para outro, com as meninas era diferente, aquele era o momento de cortejo, no momento em que as moças por ali passavam a animalidade era até amenizada. Mas conosco a atitude era outra, o espaço era aberto de modo que pudéssemos passar sem ser interrompidas, os mais ousados faziam sinais de educação com os olhos, mas mantendo sempre atitude de reverencia e respeito, fatos estes que indago o motivo até nos dias de hoje, mas estou quase certa de que era porque nossos atributos físicos não contribuíam.
Como havia dito, sempre éramos as primeiras a sair no termino das aulas, e eis que tinha inicio o ritual. Eu, a passos largos ia ao encontro de minha bicicleta, a moça dos cabelos roxos sempre tinha algum caso pendente com algum bípede do sexo oposto para resolver, a outra, a mais imponente entre nós, era quem garantia que o ambiente do nosso ritual fosse mantido desocupado. E em questão de minutos lá estávamos nós, a posição era sempre a mesma, eu e a moça imponente de um lado e a moça dos cabelos roxos do outro, e nossas pernas no meio do caminho impedindo a passagem de todos – ou quase todos -, aquela esquina havia se tornado o comitê dos nossos encontros e debates. Primeiro esperávamos todos saírem, havia certa glória em ver aquelas pessoas pelas quais nutríamos uma antipatia desmedida terem que desviar seus caminhos pela rua, e chegávamos a cogitar possibilidades de nos aproximarmos dos que ousavam pular nossas pernas, de fato nunca nos aproximamos – com exceção do caso Lasek Junior - , mas apesar de mantermos distancia, os ousados ganhavam nosso respeito, alguns até conseguiram fazer com que tirássemos as pernas no caminho para que pudessem passar, mas foram raros. O ultimo a passar era sempre o admirável professor de química, eu e a moça imponente o víamos como modelo de homem ideal - apesar da química -, a moça dos cabelos roxos naquela época já se livrava dos últimos parâmetros de seletividade que lhe restava, e nesse caso, o via como ideal pelo simples fato de ser homem.
Quando percebíamos que nada mais iria interromper iniciávamos a conversa, cada assunto era discutido em seus pormenores, nunca saímos de lá sem antes tomar inúmeras decisões, que a cada dia se alteravam substancialmente, íamos de suicídio a casamento - que dá quase na mesma – de futilidades a situação monetária do país, discussões filosóficas quase sempre fomentadas por aquela professora principiante que só eu e a moça imponente ouvíamos, nos torturávamos a cada dia que passava com a tão difícil escolha do curso para o vestibular, e tantas outras irrelevâncias.
Como era de se esperar, o desequilíbrio só poderia resultar em queda. Fizemos tudo diferente do planejado, cada uma com seu erro peculiar sustentou seus absurdos, e como é de se esperar de toda construção com maus alicerces , a ruína foi inevitável.

entre tantos
loucos e livres
existe um
que é doce
e que me falta

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

Preferia não pensar tanto assim em você, mas meu lado humano-fraco-e-imerso-no-sentimentalismo-barato impede que a racionalidade atue nesse setor. O afeto que há em mim, que só se manifesta em/para ocasiões/pessoas especiais, costuma ser muito atencioso com o meu estado psicológico, predominantemente perturbado; quando ele nota o quão feliz me faz uma existência tão humana e complexa, de imediato ele ocupa as vias centrais dos meus pensamentos e busca espaço para a expansão desse sentimento benévolo. E o sentimento brando e carinhoso por ti insistentemente cresce a cada dia.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

Decadência mesmo é se ver discutindo marxismo com um cara que vê toda mulher, única e exclusivamente, como uma parceira sexual em potência... Todo o resto pode ser relativizado.


terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

Não devemos tomar a arte muito ao pé da letra, especialmente no que diz respeito ao 'amor', as orgias verdadeiras nunca são tão excitantes como nos livros pornográficos.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

sábado, 9 de fevereiro de 2008

Tudo bem que por mim uma mente insana poderia se apoderar de armas biológicas ou bombas nucleares e por fim em toda humanidade, a decadência já ergueu seu império, o intelecto da maioria das pessoas já se encontra em estado deplorável e irreversível, pouco me importa o futuro da nação, a salvação do universo, e isso tudo não é egoísmo da minha parte, é só indiferença mesmo. Mas isso não significa que vou me calar ou fazer cara de paisagem frente a qualquer discurso demagogo.
A preocupação em relação a escassez dos recursos naturais tem feito surgir ditos preparados pelos meios de comunicação para disfarçar as verdadeiras causas e culpados da degradação ambiental, por pouco não se é levado a crer em coisas do tipo : 'Somos todos responsáveis', 'Só depende de nós salvar e preservar a natureza'.
Ora, deixemos de ingenuidade, estratégia antiga essa de deixar sujeitos indefinidos em frases, quem são esses 'todos' e esses 'nós' de quem depende os seres viventes?
A humanidade inteira paga as consequências da ruína da terra, da intoxicação do ar, do envenenamento da agua, dos distúrbios do clima. Mas as estatísticas confessam e os números não mentem: os dados, ocultos sob a maquiagem das palavras, revelam que 25% da humanidade é responsável por 75% dos crimes contra a natureza.
Fazendo uma comparação entre as médias do norte e do sul, cada habitante do norte consome dez vezes mais energia, dezenove vezes mais alumínio, quatorze vezes mais papel e treze vezes mais ferro e aço. Cada norte-americano lança em média no ar, vinte e duas vezes mais carbono do que um hindu e treze vezes mais do que um brasileiro.
As empresas que mais devastam o planeta, são as que mais dinheiro ganham, e também são as que mais gastam em publicidade, que milagrosamente transforma a contaminação em filantropia.
Fiquem a vontade com suas atuações, o monopólio já está conquistado, a população já se tornou povo, a humanidade já está massificada, mas poupem os ouvidos daqueles que são ao menos um pouco esclarecidos de tanta hipocrisia, definam os sujeitos, por favor.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

















Fui em busca da paciência para cruzar os dias sem me deixar esmagar por eles...




...volto junto com o inverno.
“A religião é o ópio do povo.” (Karl Marx)

“O marxismo é o ópio dos intelectuais.” (Raymond Aron)


... e o meu ópio, é a tolice alheia.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

Eu poderia agora me libertar desse claustro escuro, sair dessa prisão trancada por dentro.
Sairia em busca de remédios para o tédio, talvez chegasse a me render aos ópios habituais, poderia ingerir doses daquelas formulas mágicas que derrubam os muros do bom senso, ou então tragar aquilo que caracteriza um jovem do século XXI, me juntar aos modernos em seu ‘intercambio cultural’
orgiástico, deliciando-me com tantas presenças pornográficas fabricadas por encomenda. Eu gritaria meus ódios aos ouvidos presentes, cairia no riso junto com eles, participaria ativamente dos diálogos verborrágicos , zombaria de deus, clamaria por deus, cuspiria nos pés dos ateus que ali se encontrassem, carimbaria seus passaportes para o inferno, daria minhas gargalhadas reprimidas na face dos cristãos hipócritas, esfregaria em suas faces a verdade da impureza universal, faria deles motivo das mais cômicas chacotas.
Depois correria até o altar acenderia duas velas, uma para deus e outra para nietzche e voltaria em meios aos mortais, tão pura quanto antes.
Mas a situação ainda não pede medidas drásticas, apesar de a noite estar quente demais, da mediocridade estar presente, do tédio não dar trégua, do fracasso bater a porta, e da solidão estar aqui sentada ao lado com eu sorriso cínico e com aquele ar de superioridade que só é permissível aos vencedores, vendo as letras aparecer na tela vagarosamente devido à presença da delicada preguiça que se encontra deitada na cama ao lado.
Céus, eu deveria rezar, se restasse fé, ou então eu poderia agir em uma espécie de reflexo condicionado místico e ao menos acender uma vela, mesmo sem fé nenhuma. Ou então eu poderia acender apenas um cigarro, ficar nas drogas licitas, colocar uma musica qualquer cheia de melancolia, e bancar o artista americano em mais uma cena deplorável que algum crítico bem pago e mal intencionado chamaria de arte; mas só um completo idiota ou alguém totalmente perdido sentiria qualquer espécie de animação em tal atitude, e acho que ainda não me transformei em uma completa idiota.
Mas também não poderia ficar esperando o ‘deus acaso’ virar as paginas do seu roteiro chatíssimo e me mostrar a nova cena onde eu provavelmente ainda estaria chafurdada no pântano da depressão.
Vamos à vida, menina, mas sem exageros, doses homeopáticas de decadência diária mantêm o homem vivo.

domingo, 3 de fevereiro de 2008

Admirei aqueles olhos que me observavam da mesma maneira como os críticos ficam boquiabertos diante de Michelangelo .O mesmo prazer que uma leitura de Schopenhauer me proporciona, seguido da mesma sutil ira que suas demonstrações de machismo me provocam. O olhar era de uma vulgaridade semelhante aos romances do velho Bukowski, o rubor fácial que me aparece a cada linha, agora se dava a cada passo que me aproximava dele. O sorriso, diferente dos olhos, exprimia um romantismo tão enojante quanto as dramaturgias de Shakespeare. Não era belo, e já pecava por se mostrar tão sorridente, mas aquele rosto possuía uma simetria perfeita. Naquele momento eu era o foco, notava-se o esforço que ele fazia para demonstrar que nada seria capaz de movê-lo em qualquer outra direção, o mundo naquele segundo se resumia a mim. Cheguei imaginá-lo ao meu lado, poderíamos passar horas vagando sem sermos percebidos, apesar da efusividade do sorriso, ele possuía uma aparência discreta, só era visto por quem ele mesmo desejava.
Por um segundo,e numa piscadela pude experimentar uma eternidade de conforto.
Certas almas são tão espantosamente ligadas por um estranho magnetismo que o normal da natureza seria mantê-las fisicamente distantes, mas eis que inexplicavelmente ele aparecera em minha frente.
E eu não consegui fazer nada mais do que abaixar os olhos - e passar o resto da noite tentando descobrir o que ele teria visto em mim.

sábado, 2 de fevereiro de 2008

"Deus Todo-Poderoso, lamento ser agora um ateu, mas o Senhor leu Nietzsche? Ah, que livro! "
John Fante

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

Não foi culpa do inverno, que chegou mais cedo do que o previsto, nem do tédio habitual que se vincula com a insônia para atormentar os dias e transformar as noites em momentos caóticos, o fato de todos os dias estarem impregnados com o cheiro de terça feira, de a redoma ter se partido em pedaços suficientes para impossibilitar a reconstrução, também foi mero detalhe.


A culpa foi do ceticismo que tirou férias.

quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

A menos de uma semana um amigo veio me perguntar se eu conhecia o livro ‘A insustentável leveza do ser’, e isso me fez lembrar o quanto eu chorei no capitulo da morte de Karenin. Na mesma época em que li o livro, Charles, o cão mais dócil que já tive, e olha que não foram poucos, acabara de falecer, não pude conter as lagrimas, foi como se Kundera narrasse o meu próprio drama. Mas até aí tudo bem, cheguei até a sentir um conforto ao lembrar que Sofia, o mais novo animal de estimação da casa, estava esbanjando saúde. E eis que o acaso me prega mais essa peça, Sofia adoeceu, há três dias recusa alimentar-se, e tem os olhos mais tristes que já vi.

(...)

É um amor desinteressado: Tereza não pretende nada de Karenin. Nem mesmo amor ela exige. Nunca precisou fazer perguntas que atormentam os casais humanos: será que ele me ama? será que gosta mais de mim do que eu dele? terá gostado de alguém mais do que de mim?

(...)


Mas sobretudo: nenhum ser humano pode oferecer a outro o idílio. Só o animal pode, porque não foi banido do Paraíso. O amor entre o homem e um cão é idílico. É um amor sem conflitos, sem cenas dramáticas, sem evolução.
"

terça-feira, 29 de janeiro de 2008

As pessoas costumam ter suas atitudes agrupadas em duas categorias quando se trata da dor alheia. Temos aqueles que se assemelham a ‘livros de auto-ajuda ambulantes’, na primeira oportunidade que surge abrem seus sorrisos patéticos e miseravelmente felizes, com uma incurável visão seletiva dos fatos, e em questão de segundos deixamos de avistar a face do ser em questão, e nos deparamos com um Augusto Cury frustrado que na impossibilidade de escrever um livro cheio de atrocidades do tipo: ‘dez dicas para se feliz’, ‘você é insubstituível’, usa sua diarréia verbal para importunar um pobre ser possuidor de problemas corriqueiros e questões existenciais eternas, fazendo com que aquilo que não passava do resultado da condição humana imersa em acontecimentos decepcionantes, se torne motivo para o mais torturante suicídio, ou um violento homicídio, não mais pelo problema em si ou pela dor, mas sim pela ira que tal projeto mal desenvolvido de ser humano pensante nos causa.
Temos também aqueles que quando cruzam o caminho dos que admiram a categoria acima, são chamados com freqüência de chatos e incompreensíveis, eles se limitam a ouvir, só opinam quando existe alguma objetividade no que vão dizer, não tomam postura em relação ao problema alheio, nada de bancar o jesus cristo detentor da salvação, ou personificar o caminho a verdade e a vida, o máximo que fazem é ficar por perto, ou dispor de um abraço para derreter as camadas de orgulho, de raiva e de impaciência, tocando o coração do outro com a peculiaridade das coisas feitas para suavizar a crueza do mundo. Mas poucas vezes são compreendidos, principalmente quando se deparam com aqueles que limitaram a função dos sentidos apenas a ouvir e falar, e não entendem a sutileza e a complexidade dos sinais e do conforto dado pelos outros mesmo por um silencio ensurdecedor.

domingo, 27 de janeiro de 2008

Ela temia que a realidade continuasse sendo seus anseios ao avesso, se assustava com a possibilidade das palavras serem eternamente proferidas como ruído obrigatório, queria ouvir apenas aquilo que não fosse mera transgressão do silêncio, ansiava enfim encontrar aqueles que não se preocupavam em calar, e que diziam apenas o indispensável, queria as palavras sentidas, os diálogos secretos entre as mãos, a comunicação discreta entre os perfumes, ela só podia sentir o coração dos que não se escondiam atrás das palavras, queria um amor calmo, que desse tempo para que todos os sentidos usufruíssem do mesmo, e com a mesma intensidade. (cansou de confundir taquicardia com amor).

- O que está tirando seu sono?

- Tenho um homem atravessado nas minhas pálpebras.

- E por que não pede para ele ir embora?

- Outro me atravessa a garganta.



Existir.

[d]Existir.

[r]Existir.



[im]Pulsiv
a.

[re]Pulsiv
a.

[com]Pulsiv
a.

sábado, 26 de janeiro de 2008

Ela e ele no mesmo sofá. Um em cada extremidade, como se reconhecessem o lugar que a enorme barreira de distância deveria ocupar bem no meio deles. Ela pouco dirige a palavra a ele e a recíproca é verdadeira. Nem parece que antes se apertavam contra o corpo do outro, como se quisessem ocupar o mesmo pequeno espaço na cama, como se quisessem misturar o calor e ter a certeza que as essências estavam entrelaçadas até durante o sono. Notaram-se como estranhos, ela não poderia acreditar que ele estava lendo aqueles livros, e ele se sentiu envergonhado por ter dividido a mesma cama com uma mulher que agora tinha que pagar para alguém lhe dizer o que fazer. Sim, mas agora se tornaram desconhecidos, é fato. Tão distantes... Ela não suportou, mudou de sofá e tratou de procurar outras coisas pra se entreter, escondendo as mãos suadas. Incrivelmente portando-se com uma naturalidade mais cínica impossível. E provavelmente muito bem notada por ele, que ainda devia conhecer muito de seus artifícios e reações nervosas. Depois de um tempo, ele se levantou para ir embora e ela resolveu lhe lançar um olhar consideravelmente firme, na porta do apartamento enquanto o elevador não chegava, expressando um misto esquisito de sentimentos como se quisesse dizer "viu como eu estou bem sem você?" e "a saudade agora apertou como um sapato de número menor no calcanhar".

sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

Deixe que essa noite eu cuido de você, puxe as cobertas que a noite está fria, deixe essa tristeza e chegue perto de mim. Deixa eu te embalar no sono, tirar seus medos, to aqui do seu lado, vem dormir, encosta sua cabeça em meus ombros, deixe-se dormir.
A noite vem, e vem escura, o vento já bate forte balançando as janelas, mas durma tranqüilo, estou aqui do seu lado.
Tirei a noite pra cuidar de ti, velarei teu sono, e se do teu sonho fizer parte, que seja dos mais belos passeios no parque de mãos dadas, ao raiar do sol, bem de manhãzinha, sentindo ainda o cheiro do orvalho por sobre as plantas.
Deixa-me ficar aqui, só te olhando, não farei barulho, prometo não te acordar, apenas ficar aqui te admirando.
Isso, assim mesmo, durma bem, enquanto fico aqui do seu lado, sem nada dizer, apenas imaginando o que poderia viver ao seu lado.
Dorme tranqüilo, estou aqui, te afagando com os olhos.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

terça-feira, 22 de janeiro de 2008

Por alguns segundos ela chegou a pensar que aquilo fosse excesso sensibilidade e escassez de compreensão, julgou-se injusta, pensou nunca poder se perdoar, de fato ela realmente havia sido dura demais com as palavras, mas foi a única saída que ela encontrou para tapear o seu ego, afinal, ele estava a deixando, ela se sentia no direito de vencer ao menos esse ultimo jogo de palavras, apesar de saber que diferente das outras circunstancias, o vencedor não poderia olhar para seu oponente com um olhar cheio de afeto e apertá-lo em seus braços, agora era definitivo, teriam que traçar caminhos opostos, mesmo sabendo que poderiam usar o mesmo percurso para sempre, compartilhavam das mesmas preferências em tudo, era justamente essa afinidade absurda que havia os unido. Mas ele decidiu partir. Ela compreendia o fim, sempre soube que os sentimentos eram findos, efêmeros, transitório, nunca esperou que ele lhe fizesse juras eternas, e nunca cometeu a atrocidade de fazer o mesmo, julgava-se racional demais, tanto que cometeu o erro de aplicar isso aos seus sentimentos a ponto de tornar-se fria, pensava que isso daria aos seus relacionamentos alicerces seguros, tudo parecia estável e dentro dos seus planos, fazia do amor um negocio, regras, investimentos, lucros, juros, tudo era pré-estabelecido com antecedência, o caminho até seu coração era mapeado, placas explicativas poupava todo o trabalho daqueles que ela permitia transcorrer por ele. Mas ainda assim, algo havia fugido do seu controle, ele avisara que partiria essa noite, mas como ela mesma disse aos gritos diversas vezes, o problema não era ele estar indo embora, nem ao menos o vazio que ela teria que enfrentar, ou o martírio que o medo da solidão lhe traria, ela só queria um motivo. As últimas palavras daquele homem que ela tanto amava foram responsáveis por uma angustia que ela levaria mais do que alguns dias, alguns livros, alguns filmes e vinhos para esquecer. O ópio habitual não seria suficiente. Ela esperava que os finais seguissem sempre o mesmo roteiro : duas ou três frases frias ou sarcásticas, reclamações explicativas em forma de pretexto, e o adeus. Mas ele não permitiu que ela ditasse as regras até o fim, segurou-a contra a parede, calou-a com seu ultimo beijo, deslizou seus dedos pelos cabelos dela delicadamente pela ultima vez, passou suas mãos pelo rosto dela, que nesse momento já estava umedecido por duas ou três lágrimas, e por alguns instantes se reportou ao primeiro encontro que tiveram, e notou que a pele ainda possuía a mesma suavidade, observou-a ... notou que estava mais bela do que nunca. Ela só lhe pediu um motivo, não que esperasse que ele não fosse, esse era um dos tantos motivos que fazia ela o amar tanto, ele não tomava decisões irrefletidas. E sem nenhuma crueldade ou ironias, ele listou as qualidades dela de forma impecável, suas palavras exprimiam a mesma doçura de sempre, dizia não haver motivos, simplesmente sentiu que aquele era o momento de partir. Por que ele estava partindo? Era tudo o que se podia escutar entre o choro e os soluços ... Ele havia profanado o ritual de partida.

domingo, 20 de janeiro de 2008

O ambiente estava favorável para que ela se sentisse segura, a música adentrava seus ouvidos meigamente de forma quase imperceptível, o som havia sido minuciosamente preparado para confortá-la de deixá-la leve, o espaço fora escolhido de maneira que a manteria estrategicamente afastada de qualquer interrupção brusca, ele já sabia o quão frágil e vulnerável a sustos ela havia se tornado, nada indesejado ocuparia seu campo visual – como ela mesma costumava dizer – ela não escondeu seu riso ao perceber que aquelas cores só se faziam presentes porque a deixaria feliz, no fundo ela sabia que ele se sentiria muito mais seguro se as rosas fossem vermelhas – ele não compreendia como ela podia preferir as brancas. Na sua busca por informações, descobriu o quanto ela gostava de espelhos, e lá estavam eles por todos os lados, ela dizia que não era narcisismo, mas fazia o ambiente se tornar familiar, caso se sentisse angustiada poderia avistar sua própria imagem – ela sempre ria de si e analisava suas expressões faciais depois que algo inesperado que lhe causava emoções incontroláveis ao seu tão precioso bom senso acontecia . Em cada passo que ela dava percebia como ele havia assimilado bem suas palavras – e como suas mãos lhe foram gratas quando sentiram a maciez das inúmeras almofadas que ele colocara no sofá ,organizadas por cores e tamanho – ela sempre temia em pensar o que fazer com as mãos, tinha medo de que elas falassem algo inadequado, algumas leituras a respeito de linguagem corporal a deixou ainda mais cheia de paranóias. Ele deixou que ela decidisse a distancia entre eles, não conseguia compreender porque estava agindo daquela forma, depois de sentir o calor de tantos corpos e tê-los sob seu controle, tudo o que ele desejava agora é que ela escolhesse estar entre seus braços. Ela, com sua insegurança, bem provável que proveniente de sua imaturidade, se manteve um pouco distante, teve medo que ele percebesse que sua respiração ainda estava ofegante, ele por sua vez não deixou de notar, apesar de ter cogitado a possibilidade de ser efeito da subida das escadas, tinha medo da responsabilidade que sentiria se admitisse o quanto a desconcertava. A doçura com que ele a olhava a deixou incompreensivelmente segura, tomou para si as mãos dele, ele sorriu ao perceber o quanto um simples gesto havia exigido dela. Ficaram sem pronunciar uma palavra, nem um dos dois teve a audácia de correr o risco de estragar tudo com palavras, tudo era novo demais para ser dito.

Mantiveram as mãos e os olhos unidos, e apesar da incredulidade que compartilhavam, rezaram para que aquela noite fosse eterna. Ela não conseguiu resistir, os sentimentos estavam transbordando de tal forma que seria injusto demais não usar todas as maneiras que detinha para expressá-lo. Docemente pediu:

- Permite que eu viva nesses olhos?

sábado, 19 de janeiro de 2008

Talvez o pecado dela tenha sido perder o interesse...
Ela que sempre havia sido tão aplicada na arte de conhecer e deliciar-se com as descobertas que o mundo lhe proporcionava, em um súbito instante, descobre que nada poderia ser mais aconchegante e lhe dedicar mais afeto, do que os seus travesseiros e seus lençóis sem estampa, dentro de si havia um conforto seguro, um amor sem duvida, que não necessitava que constantes conquistas, ela não teria mais que se confundir com cheiros e gostos, poderia se tornar neutra assim como as cores - tão criticadas - que ela sempre preferiu, mas abdicou em prol de outras sensações (e como ela se sentia livre e limpa na presença delas), foi como se essas cores tão sem graça e sem emoção – assim como ela – criassem vida, e lhe desse um abraço forte jurando que sempre a protegeria.
...o único esforço que ela teria que fazer era continuar sendo...

quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

Foram tantas interrogações, exclamações e reticências...
...cansei
de fazer amor com as palavras.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

Estou exausta de construir e demolir fantasias. Não quero me encantar com ninguém.


eles estavam certos...

...excesso de glicose não preenche determinados vazios.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

Pensas mesmo que torna tua existência poética pelo simples fato de articular bem as palavras ? ... no fim só resta o tédio ou o caos, meu bem, toda essa beleza é descartável ...
Existir é mera vulgaridade.
Não, meu bem, não adianta bancar o distante
lá vem o amor nos dilacerar de novo...

segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

"Produz-se então uma antítese terrível entre a profusão tropical da vida exterior e a negra esterelidade do túmulo. Nossos olhos vêem o verão, nosso pensamento visita o túmulo; a gloriosa claridade está ao nosso redor e em nós estão as trevas. E essas duas imagens, entrando em colisão, emprestam-se reciprocamente uma força exagerada"

Baudelaire, Paraísos artificiais.
Será que esses projetos mal desenvolvidos de "super homem" não notam a vulgaridade que é a existência, ou estariam tão ocupados com feitos e conquistas efêmeras para não se dar conta ?

quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

Já que não sou mais o foco dos seus olhares
que não aumento mais o ritmo da sua pulsação
que não posso mais lhe causar epifanias
e nem lhe inspirar as mais belas palavras ...

...te acompanho de longe com esse ar nostálgico.
"daí vá ficando por aí. eu vou ficando por aqui. evitando, desviando, sempre pensando se por acaso a gente se cruzasse."

(alice ruiz)

segunda-feira, 24 de dezembro de 2007

Repito sempre: sossega, sossega - o amor não é para o teu bico.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

Adeus

Era como se cada pulsar do seu coração falasse por si só...
sua respiração ofegante, envergonhada, demonstrava que algo havia de se partir
as mãos transpiravam como nunca,
nos lábios sentia-se uma suavidade indescritível

a doçura das palavras que causaram tanta angustia,
fez com que eu sentisse a dor de ser ferida com uma rosa

os olhos viam que a dor havia se eternizado

terça-feira, 18 de dezembro de 2007

Traga-me de volta a primavera,
deixe-me parada na mesma estação, imersa entre as flores..
..depois (des) habite meu coração.

domingo, 16 de dezembro de 2007

Se envergonhou da solidão tão aguda que sentia,
odiou-se por se sentir tão frágil..
..e tão mediocremente pequena.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

_ Por que insiste em me seguir?
_ Me encantei com seu desafeto!
_ Ora.. e desafeto causa encantamento?

_ É ... Bem ... (...)

_ ( ? )

_ Talvez um dia você possa me responder ... Adeus.




_ Eih! volte aqui.

terça-feira, 11 de dezembro de 2007

O sentido é inexpressável.
E a falta de sentido..
..faz todo sentido










sexta-feira, 16 de novembro de 2007

Acrilic on canvas



- É saudade então.





E mais uma vez

De você fiz o desenho mais perfeito que se fez:

Os traços copiei do que não aconteceu.

As cores que escolhi, entre as tintas que inventei,

Misturei com a promessa que nós dois nunca fizemos

De um dia sermos três.

Trabalhei você em luz e sombra





Era sempre:

- Não foi por mal. Eu juro que nunca

Quis deixar você tão triste.

Sempre as mesmas desculpas

E desculpas nem sempre são sinceras -

Quase nunca são





Preparei a minha tela

Com pedaços de lençóis

Que não chegamos a sujar.

A armação fiz com madeira

Da janela do seu quarto.

Do portão da sua casa

Fiz paleta e cavalete

E com as lágrimas que não brincaram com você

Destilei óleo de linhaça

E da sua cama arranquei pedaços

Que talhei em estiletes

De tamanhos diferentes

E fiz então

Pincéis com seus cabelos.

Fiz carvão do batom que roubei de você

E com ele marquei dois pontos de fuga

E rabisquei meu horizonte.





Era sempre:

- Não foi por mal. Eu juro que não foi por mal.

Eu não queria machucar você: prometo que isso nunca vai

Acontecer mais uma vez.

E era sempre, sempre o mesmo novamente -

A mesma traição.





Às vezes é difícil esquecer:

- Sinto muito, ela não mora mais aqui.

Mas então porque eu finjo que acredito no que invento ?

Nada disso aconteceu assim - não foi desse jeito.

Ninguém sofreu: é só você que provoca essa saudade vazia

Tentando pintar essas flores com o nome

De "amor-perfeito" e "não-te-esqueças-de-mim".

terça-feira, 13 de novembro de 2007

O que nos move na vida quando a vida não nos move?

quinta-feira, 11 de outubro de 2007

O problema em existir é se dar conta disso.

sábado, 22 de setembro de 2007

Iria eu renunciar ao jogo simplesmente porque ele é inútil ?

quarta-feira, 19 de setembro de 2007

Eu é que não me acabo atrás de qualquer sensação.

domingo, 16 de setembro de 2007

Queria prender-te nos meus olhos.
Guardar-te nos meus braços.
Proteger-te de ti.

(...distrair-se de mim)
Novamente aquele perfume se aproxima anunciando sua chegada...

(o primeiro sentido a perceber-te [ mas não o último] )

...um súbito impulso me move lentamente em direção ao desejo.

sábado, 15 de setembro de 2007

Tivemos como cúmplice apenas um de seus cigarros ...

(que lentamente acompanhou cada segundo da leveza das palavras e não ousou interromper a manifestação mais bela da existência.)

...coexistimos então
sem deixar vestígios.

domingo, 9 de setembro de 2007

Dê-me sua mão...
deixe que meu suor adentre seus poros,
sinta o tremor que me causa,
Fique ao meu lado esta noite
quero sentir que estas velando meu sono.

sábado, 8 de setembro de 2007

Traga-me desejo
sirva-o em pequenas doses
(embriagantes doses...)
Ouça os meus pedidos
Satisfaça-os
e vá.
Que reste apenas o doce silêncio.

sexta-feira, 7 de setembro de 2007

No fim
apenas
não resta.

Foi-se a noite
perdida
imersa no remorso.

Teria adormecido
acalentada
nos braços fortes da culpa?

quarta-feira, 22 de agosto de 2007

Os carros na minha frente vão indo
e eu nunca sei pra onde,
será que é lá que você se esconde?
Eu vou fugir para dentro de mim
E voltarei para cumprir as ordens de meus anseios
Vou viver ao máximo até que morra de overdose de uma vida qualquer
Experimentar seus lábios e olhares faz parte do plano de overdose.

segunda-feira, 20 de agosto de 2007

Cabelos em desalinho,
olhos que se misturam.
Caldo da vida.

domingo, 19 de agosto de 2007

Eu tive vontade de beijar-te...
Não como amante... mas como amor que delineia limites que pudor algum diz... Beijar-te com a beleza que flui e sem o compromisso da mortalidade... Beija-lo por ser o beijo quem conta segredos.
O que o beijo poderia contar... nem mesmo aquele reflexo dos olhos teus poderia conter, era impossivel. Naquele beijo, homem e lobo conviveriam sem um fazer qualquer mal ao outro....
O beijo te calaria...assustaria...
Mas certamente não feriria... E somente se estivesse ao meu lado a muito tempo, saberia que que é a mulher em mim que lhe beijara...

beijar-te-ei...mas não hoje, nem agora... Mas quando seus olhos permitirem.

terça-feira, 14 de agosto de 2007

quinta-feira, 9 de agosto de 2007

quarta-feira, 8 de agosto de 2007

—Por que desvia o olhar?

(Porque eu tenho medo de altura. Tenho medo de cair para dentro de você. Há nos seus olhos certos desenhos que me lembram montanhas, cordilheiras vistas do alto, em miniatura. Então, eu desvio os meus olhos para amarrá-los em qualquer pedra no chão e me salvar do amor. Mas, hoje, não encontraram pedra. Encontraram flor. E eu me agarrei às pétalas o mais que pude, sem sequer perceber que estava plantada num desses abismos, dentro dos seus olhos.)

— Ah. Porque eu sou tímida.

terça-feira, 31 de julho de 2007

Peço, por favor, não se aproximem muito, deixe que eu mantenha o interesse da distância, visto de perto tudo é demasiado humano, a inconformidade tende a crescer quando se nota traços tão semelhantes em todos os bípedes viventes, deixe que eu pense apenas que fui amaldiçoada pelo acaso por ter me deparado com tantos iguais e previsíveis, não comprovem as minhas suspeitas.

segunda-feira, 30 de julho de 2007

É como eu sempre digo: Tudo é uma questão de tempo. sempre.

sexta-feira, 27 de julho de 2007

por vezes falava desse espanto, mas, como ninguém parecia partilhá-lo nem sequer compreendê-lo (a vida é feita assim de pequenas solidões), esqueci-o.

sexta-feira, 20 de julho de 2007

''As pessoas agarravam-se cegamente à primeira coisa que lhes aparecesse: comunismo, orgias, andar de bicicleta, erva, o catolicismo, halteres, viagens, o recolhimento, a comida vegetariana, a índia, pintura, beber, andar por aí, iogurtes, congelados, Beethoven, Bach, Buda, Cristo, haxixe, sumo de cenoura, suicídio, roupas por medida, viajar de avião, Nova Iorque, e de repente tudo desaparece. As pessoas tinham de encontrar coisas para fazer enquanto esperavam pela morte. Acho que era bom podermos escolher.''

(Bukowski)

terça-feira, 17 de julho de 2007

Longe de estar pendendo para o resto de ranço comunista, porém, mais longe ainda de aderir à lógica do capital.

“Qual a utilidade de vossas camisas de seda? Estão penduradas aí, aos milhões, invendáveis; e há os milhões de costas nuas, trabalhadoras, que não as podem usar. As camisas são úteis para cobrir as costas humanas; inúteis para qualquer outra finalidade, um motejo insuportável, de outro modo. Que recuo representa esse aspecto do problema!” (Leo Huberman, História da Riqueza do Homem, pág. 302)"

segunda-feira, 16 de julho de 2007

''A dor é uma coisa estranha. Um gato que mata um pássaro, um acidente
de automóvel, um incêndio... A dor chega, BANG, e eis que ela te atinge. É
real. E aos olhos de qualquer pessoa pareces um estúpido. Como se te
tornasses, de repente, num idiota. E não há cura para isso, a menos que
encontres alguém que compreenda o que sentes e te saiba ajudar.''

(Bukowski)

sexta-feira, 13 de julho de 2007

"A vida das pessoas sãs, dos homens comuns, era uma estupidez pior do que a morte. Parecia não haver alternativa possível. A educação também parecia uma armadilha. A pouca educação que eu tinha me permitido havia me tornado ainda mais desconfiado. O que eram médicos, advogados, cientistas? Apenas homens que tinham permitido que sua liberdade de pensamento e a capacidade de agir como indivíduos lhes fosse retirada"


(Bukowski)

quarta-feira, 11 de julho de 2007

"Uma maldita nação inteira de desgraçados dirigindo carros, comendo, tendo bebês, fazendo todas as coisas da pior maneira possível, como votar em candidatos à presidência que os fizessem lembrar de si mesmos.
Eu não tinha interesses. Eu não tinha interesse por nada. Não fazia a mínima idéia de como iria escapar. Os outros, ao menos, tinham algum gosto pela vida. Pareciam entender algo que me era inacessível. Talvez eu fosse retardado. Era possível. Freqüentemente me sentia inferior.
Queria apenas encontrar um jeito de me afastar de todo mundo. Mas não havia lugar para ir. Suicídio? Jesus Cristo, apenas mais trabalho. Sentia que o ideal era poder dormir por uns cinco anos, mas isso eles não permitiriam."


(Misto Quente, Charles Bukowski)

segunda-feira, 9 de julho de 2007

Saindo de Cena.

Seria esse o momento apropriado?

domingo, 8 de julho de 2007

A Solidão Final

Depois de todas as negações, depois da falência de todas as formas de uma pacificação, o homem descobre enfim que está só. Todos os brinquedos da nossa infância milenar jazem por terra com as tripas mecânicas de fora, e depois do prazer com que os desventrámos, olhamos, aterrados, por não termos mais brinquedos para desventrar... As horas ressoam no céu deserto onde só o silêncio responde ao nosso pobre pavor.

Vergílio Ferreira, Carta ao Futuro.

quarta-feira, 4 de julho de 2007

Além de atores, precisamos ser platéia.

terça-feira, 3 de julho de 2007

Pior do que descobrir que uma estratégia usual sua é de pouco êxito, é descobrir sendo alvo da mesma.

segunda-feira, 2 de julho de 2007

Vazio repleto de falta.

domingo, 1 de julho de 2007

Os "Humoristas" da atualidade a cada dia surpreendem mais com seus fracassados espetáculos. Aguçando minimamente a percepção logo se entende o enredo principal e percebe-se o drama pessoal que existe por trás das sátiras (no palco nada escapa da luz dos holofotes). Contradizem-se sempre na busca de sustentar seus personagens, fingem personificar o disfarce, decoram suas falas de forma tão ordenada que esquecem que as perguntas mudam... e que o público também se altera, dificultando o sucesso na dissimulação.